sábado, 22 de março de 2025

Eu... Motta e a música de Cartola

A Parabóllica

Aquele barzinho, encravado no final da Rua das Palmeiras, era sombrio demais para o garoto Valtinho. O bar, herança de família, estava circundado de concorrentes fortes, como a Pizzari 

a Cinderela, famosa em todo o bairro e uma das melhores da cidade. Logo acima, no trecho mais nobre da Rua Direita, o Bar Para Todos ocupava um bom espaço da esquina e reunia, em suas mesas e balcões, a fina flor da sociedade. 

O Para Todos tinha música ao vivo, aos finais de semana, servia refeições à la carte e o famoso self-service, que atualmente é a ultima moda entre os comensais. Valtinho não sabia o que fazer para reunir em suas poucas mesas e no seu pequeno espaço, alguns fregueses que pudessem levantar o seu astral e sua renda mensal, média de pouco mais de um salário mínimo. – Faça promoção de cerveja. Pedia o vendedor. – Coloque propaganda nos bancos e dê desconto aos bancários. Dizia um freguês, bancário e certo que levaria vantagem no negócio de Valtinho.

Ermenegildo Solon, jornalista antigo, morador da redondeza e amigo do velho Valter, falecido em um desastre de automóvel, era o maior incentivador do moleque. – Valtinho, é hora de decidir se quer ou não continuar com o negócio de seu pai. – Querer eu quero, Solon, mas está difícil superar estas barreiras. – Que nada, vamos agilizar um plano e montar uma estratégia para colocar esta birosca – no bom sentido – prá frente.


Solon foi à loja e voltou de com uma antena parabólica e um aparelhinho –milagroso, segundo ele- e foi logo avisando. – Chame o Japonês e vamos montar esta geringonça, que é a última moda nos bares da capital. – O que é isto? 

Tá ficando louco, Solon? Quanto custou este troço? Foram as três perguntas do espantado Valtinho ao ver a parnafenália chegando ao seu bar. 

– Isto é a chave do seu sucesso. Você vai aos bancos, no mais profundo silencio, e convida os bancários para ver futebol no seu bar, ao vivo e em cores. O resto deixa comigo, vou falando para os amigos e após uma ou duas semanas o seu bar vai ficar lotado.

A novidade não havia chegado na cidade, mas Solon e Valtinho anteciparam a todos e o Bar do Valter recebia cerca de trinta fregueses diferentes a cada partida mostrada na televisão. Os concorrentes ficaram loucos. – Qual seria o mistério de Valtinho? Perguntavam incrédulos. E, enquanto não descobriram, Valtinho reinou absoluto, foi fazendo caixa, crescendo seu negócio, já tinha duas tevês 29’ instaladas no recém pintado espaço, que agora mostrava as quatro bandeiras dos clubes cariocas e já possuía um espaço reservado para quem pedisse privacidade, um canto do bar onde o cliente pode jantar ou até mesmo levar a família para ver a novela com imagem perfeita. – Um cinema, diz Janilce, uma vizinha que passou a ser a vedete do local – no bom sentido, é claro -.

O tempo foi passando e a novidade foi-se embora. Praticamente todos na cidade já mostram futebol e outros esportes em seus recintos, mas o Valtinho, pioneiro, está com a vida tranqüila, com as contas em dia e com uma clientela de fazer inveja aos grandes proprietários de bares ou restaurantes da cidade. – A receita é simples, diz o garoto. “Manter sempre a neutralidade, colocar no ar sempre o jogo de um time com maioria “gastante” no local, deixar a tevê ligada em um canal de esportes. E, ia me esquecendo, ter um amigo como o Ermenegildo Solon, que está sempre perto nos melhores momentos de nossas vidas”.  

terça-feira, 18 de março de 2025

NA TARDE DE DOMINGO

 Hoje é domingo e para nós, boleiros amantes de um bom futebol - pode até ser uma pelada, né mesmo? - estamos tristes com este domingão vazio e mais parecendo um daqueles dias de dezembro, vésperas de Natal, quando a bola para de rolar e a gente fica assim como se estivesse faltando alguma coisa em nossas vidas.

Ah, tem jogo da seleção brasileira logo mais! Me diz Júnior, no armazém do Lenilson. Certo, mas contra a Bolívia, lá nas alturas, com o time desfalcado, ainda bem que tem Adriano prometendo gols, e um joguinho que não vale nada, nem mesmo para os bolivianos. Nem mesmo uma peladinha pela segunda divisão por aqui, a Ferj colocou o jogo do Goytacaz, no Arisão, ontem, contra o Nova Iguaçu, justamente no horário de Flamengo e São Paulo, que passou na tevê e os bares ficaram lotados e o a Rua do Gás até que teve um bom movimento. Esta turma alvianil é mesmo fanática pelo Goytacaz, benza Deus.

Hoje pelo menos é dia de lembrar alguns lances do meu tempo de rádio, lá na "terrinha", quando fazíamos o impossível para levar até a turma do esporte alguma novidade. E foi justamente em um jogo destes, pelas Eliminatórias, no Morumbi, que a Princesinha fez sua estréia fora do nosso território. Brasil x Bolívia, no Morumbi, e lá estava este repórter fazendo entrevistas e procurando Telê Santana, o treinador brasileiro que não gostava muito de falar fora da coletiva. Fui ao seu encalço e no caminho encontrei o zagueiro Mozer, que dois anos antes esteve em Miracema, com a seleção de juniores do Rio, e papo vai, papo vem o pedido de ajuda para falar com Telê chegou no momento certo.

No princípio o treinador se esquivou, mas quando soube que nossa cidade era menor do que sua Itabirito, em Minas Gerais, ficou com dó do repórter de sentou-se a meu lado, no balcão do bar do Hotel Brasilton, e falou durante meia hora para a Rádio Princesinha, com exclusividade e contando coisas que jamais havia contado, segundo ele, nos microfones brasileiros. Um papo que poderia estar gravado, mas este país sem memória não cria hábito entre seus profissionais, de criar ou resguardar acervos ou museus.

Brasil e Bolívia, no ano passado, foi a minha estréia no Engenhão, este belo estádio que hoje é administrado pelo Botafogo. Foi um passeio e tanto. Véspera de minha viagem a Europa e lá estava eu, no Rio, com meu amigo Carlos Fernando Motta, a espera da hora de pegar o metrô, o trem e, na estação da Central, E nos encontrarmos com o Roberto, pai do zagueiro Juan, nosso cicerone naquela noite de dez de setembro. O jogo? Acho que muitos não devem nem se lembrar, foi uma autêntica pelada e o torcedor se fartou de vaiar Dunga, que naquele período era odiado por todos nós, inclusive os que hoje batem palmas para ele.

Hoje não tem nem mesmo um joguinho pelos diversos campeonatos europeus, sempre presentes na Band, Esporte Interativo, Espn, Sportv e outros canais que mostram o futebol do velho continente. Hoje não tem jogos das Eliminatórias da Concacaf, não tem decisão de grupos europeus e mais nada, só Bolívia e Brasil, em La Paz, onde o tema principal dos nossos comentaristas, narradores e repórteres, que estiveram por lá, será a altitude e o temor de todos os jogadores em enfrentar este problema. Quem será o primeiro a cair? Quem será o primeiro a sentir tonturas? Garanto que não será Diego Souza ou Adriano, os dois estão com fome de bola e jogariam até em Marte para garantir um lugar na delegação que vai a Copa da África do Sul.

O jeito é pegar um disco, colocar na vitrola e cantarolar com Wilson Simonal: “Brasil está vazio na tarde domingo, né? E o sambão aqui é o país do futebol.”

Mas de futebol hoje não tem muita coisa, mas torcer pelo Brasil é sempre um bom programa, mas o pior, cá prá nós, é ter que agüentar o falatório destes caras, como já disse acima, sobre a altitude criminosa e não ver ninguém fazendo nada de prático para acabar com isto. Maradona parece que está disposto a mudar de opinião, será?


Uma lenda chamada Jair Polaca

                                                                                                                    

Comenda Jair Polaca 
Jair do Nascimento é um personagem folclórico de nossa cidade, não fosse ele um ex-jogador raçudo e com um chute forte, segundo seus amigos um “coice de mula”, e um destruidor de mangueiras. Quem melhor narra as peripécias de Polaca é o conterrâneo e amigo, José Maria de Aquino, que tem no Polaca um de seus ídolos do futebol.

Reza a lenda que Jair “matou” todas as mangueiras do grupo escolar com seus chutes fortes, que jamais acertavam as redes adversárias e sempre vazavam o muro do pequeno campo de treino explodindo nas árvores do colégio, onde ficava o gramado do time da cidade.

Após encerrar a carreira, já bem “velhinho”, Jair resolveu experimentar o outro lado, como seu ídolo Elba de Pádua Lima, o Tim, e foi ser treinador do seu Miracema FC, onde, além das funções de orientador, exercia a de roupeiro, massagista, presidente, etc e tal.. Suas histórias são incríveis, a cada viagem que faço pelas bandas da “terrinha” ouço, com atenção, as aventuras do Polaca, o ícone do futebol miracemense. 

“Ele era incrível, não sabia muito de bola, mas carregava um otimismo que encantava a turma e fazia o time jogar com força e vontade”, diz Vadeco, volante clássico, marcador, lançador e fã do treinador.

- Certa vez, relata Lula, um lateral vigoroso, o Miracema não tinha centro avante e o Jair foi buscar o Genuíno, filho do dono da padaria, em casa. O pai do garoto não queria que ele jogasse, teria que ajudá-lo na venda de pães naquele domingo. 

Mas Jair era simpático e sabia convencer a todos, e Genoíno foi liberado momentos antes da partida começar. Minha grande surpresa, revela Lula, foi quando o treinador me deu a camisa 11 e me fez jogar no ataque. Tudo bem, eu bati as minhas peladas como atacante e fui lá, obedecendo a ordem do nosso treinador.

Eu fiquei espantado com a conversa e perguntei ao zagueiro: Legal, mas o que tem de estranho nesta escalação sua como atacante? – Você não sabe o que aconteceu? Vou contar. “O jogo corria solto e nós perdíamos por 1x0 e eu não acertava uma. O Genuíno resolveu tirar as chuteiras e voltar para a padaria. Foi então que o Jair percebeu que o garoto estava por ali e mandou que ele entrasse no jogo. Sabe quem saiu? O goleiro. O Chico Besouro foi para o gol e o Genú entrou e decidiu a partida”. 

Ainda não entendi nada, meu zagueirão: “O nosso goleiro tinha apenas um metro e meio e estava quebrando o galho do Jair, já que era bom no futebol de salão e, como não tínhamos goleiro, a improvisação deu certo. Coisas do Polaca”.

Ouvindo um daqui, outro dali, fui anotando as peripécias do folclórico treinador, que um dia, imprensado pela torcida, que reclamava da falta de qualidade do time e exigia substituições, Polaca foi ao cara que levantava as placas, não tem este negócio de quarto árbitro por lá, e pediu calmamente. 

“Amigo, tire duas placas e levante as duas, por favor”. O cara não entendeu e perguntou: “Por que faria isto, seu Jair? Se vai fazer alteração me avise quem vai sair”. No que ele arrematou: “Eu mudaria todo mundo, mas só posso tirar dois (naquele tempo eram permitidas duas alterações) e, portanto vai na sorte, as placas que saírem indicarão quem eu vou tirar”. E assim foi feito.

No jogo da festa, quando o lugar estava apinhado de visitantes, Jair gostava de jogar e se escalava sempre. Naquele ano haveria uma solenidade antes do jogo e os ex-jogadores seriam homenageados pela diretoria do time. Jair ficou sabendo que muitos iriam jogar e ele, como treinador oficial, escalaria o time para enfrentar os veteranos do Goytacaz. Antes do jogo, no vestiário, uma conversa franca com os jogadores, que conheciam os métodos esquisitos do comandante, um impasse: Quem jogaria? Ninguém queria o banco de reservas naquele jogo festivo.

O tempo estava passando e o alvianil campista já estava em campo esperando o time local, que não dava sinais de vida. “Achei a solução para o caso”, bradou Jair para os companheiros enquanto vestia a camisa sete, que o consagrou em seus tempos de boleiro. “Vou jogar as camisas para o alto e quem pegar joga. Tá legal?” 

Ninguém gostou, mas o jeito foi correr atrás de uma, qualquer que fosse o número, para garantir o lugar entre os onze titulares, já que apenas a sete, pega pelo Jair, e a um, entregue ao Rubinho Camelo, tinham donos absolutos.

Jair do Nascimento é um personagem do nosso futebol, sua vida foi dedicada ao nobre esporte bretão e suas histórias correm a região como verdadeiras lendas, assim como ele, lenda viva do nosso alegra futebol

sábado, 15 de março de 2025

Uma roda de papo com meus gurus

        ¼       ¨       ¨       ¨       ¨        Ù   Viajei no tempo...

 

Meu guru, Ermenegildo Solon, visitou Miracema recentemente e riu escancaradamente em suas conversas com amigos mais chegados. Eles, os amigos, comentavam sobre alguns e-mails chegados em suas máquinas de fazer loucos e em um destes sinalizava a irremediável passagem do tempo. Um sorriso ali, uma gargalhada aqui e aos poucos os motivos de tanta alegria eram colocados à mesa. A seu lado, como sempre, cinquentões e sessentões animados com a visita do ilustre conterrâneo faziam de tudo para arrancar algum comentário mais intimo da figura, que naquela altura da conversa já tinha algum ponto de vista formado.

Sentei-me ao lado do Aquino, que também nos dava a honra de sua visita, e esperei pela chegada do Mendes, por sinal um dos mais antigos da roda e o mais costumas consumidor de todos os produtos citados no e-mail. Batista, um pouco mais tímido, parecia um peixe fora dágua, segundo ele a sua infância foi muito sofrida e quase não viu estes maravilhosos e milagrosos manufaturados ou coisa e tal. 

Mercante, que era um freqüentador assíduo da sinuca do Vicente Dutra, dizia que jamais tomou um Q-Suco e que bom mesmo eram os refrescos de laranja tanto do Bar do Vicente quanto do Bar do Vavate, com o que concordo plenamente. 

– O Vavate era legal, mas não tinha Grapette, que só tomei no Bar do Seu Arthur, na Tijuca, quando visitava a minha tia Durvalina, confesso aos amigos. 

– Você era do tempo da Cuba-Libre, Dutra? Diz Aquino, um antigo tomador da mistura de Rum com Coca-Cola. – Não muito, sempre gostei mesmo de uma cerveja, a Portuguesa, casco escuro, foi a primeira a ser degustada, mas minha turma realmente consumia esta bebida nos bailes e nas festinhas do ginásio.

Solon, há algum tempo vivendo na capital, dá uma de saudosista e, sabendo que na cidade jamais teve este tipo de produto encaçapa a pergunta: Quem daqui da mesa já tomou um leite naquela embalagem com tampinha de alumínio? Apenas o Aquino e o Mendes, mais viajados e mais antigos, responderam afirmativamente. 

Os outros, como eu, apenas sabiam da existência deste leite por ouvir dizer ou de vez em quando teve a felicidade de abrir um destes, no meu caso também na casa da tia, no Rio, e virar no gargalho, como nos filmes americanos.

Batista vai até o banheiro e volta dizendo que está com dor de cabeça. –Tome uma Cibalena, diz Solon, que engatou em seguida: Ainda existe Cibalena? –Claro que sim, tem Cibalena, Biotônico Fontoura –que muita criança de meu tempo tomou pensando em crescer para namorar e jogar futebol-  respondo ao amigo, que queria saber se conhecia pomada Minâncora, aquela milagrosa para as espinhas. 

Como eu jamais tive espinha que incomodasse encaixei mais uma para o Mendes, que é asseado e está sempre bem barbeado. – O amigo usou o Gillete do seu pai ou já tinha grana para comprar o seu aparelho de barbear? – Eu sempre fui independente e não gostava, mesmo sendo do meu pai, de usar material dos outros, devolve Mendes, que era usuário do Leite de Colônia e já cutucando o Batista, ele usou muita Violeta de Genciana, mas Batista garante que foi somente nos cantinhos da boca, a famosa “boqueira” provocada por alguns beijos no Cinema Sete. 

Solon achou interessante o estilo da menina, que acabara de entrar no bar. –Engraçado aquele lenço na cabeça da guria. No meu tempo para se fazer o cabelo para uma festa era preciso ir ao salão de beleza e ficar horas e horas sob o calor de um secador. 

A prosa estava boa, os mais antigos gostavam de estar revivendo um passado cheio de novidades e a conversa girou para as brincadeiras quando Solon provocou Aquino, que havia perguntado se a turma já havia jogado Bilboquê. – Isto deve ser coisa de paulista, meu caro Aquino. Aqui a gente brincava de pique-esconde, de polícia e ladrão, eu sempre usava um distintivo feito de tampinha de Guaraná do Lucas, que era o melhor da cidade. 

As festas, ou quermesses, eram organizadas pela Igreja Católica e sempre animadas com fogos de artifícios da melhor qualidade. Enquanto os rojões subiam aos céus, aqui no chá a molecada soltava bombinhas, busca-pés a fim de desmanchar as rodinhas das meninas, que animadas tomavam sucos e comiam as delícias de salgados feitas pelas senhoras da pastoral católica. 

Batista quer saber se ainda tenho marcas dos tombos de carrinho de rolemã, preparados pelo Zébinho, no qual eu descia a ladeira da Rua Santo Antonio e virava, como um Senna, na esquina da casa do Amaro Leitão. E aproveitando a deixa Solon me mandou uma série de perguntas, já que por ali os sessentões eram maioria e o que vinha em seguida eram produtos de minha geração. E, educadamente, me propus a responder ao velho ídolo. 

E daí surgiu um texto, tirado de um autor desconhecido, que chegava pelo Rafael, trazido da Internet, que poderia nos ajudar para encerrar esta prosa de saudade. Dei vida ao texto e transcrevo abaixo. 

Brincou de queimado?

R- Não é queimado, isto sim é coisa de paulista, é queimada. Todas às noites, na Praça Dona Ermelinda, a garotada se reunia, não tinha televisão, para brincar de pique e de queimada. Bons tempos.

Você se lembra quando o Ronnie Von jogava a franjinha de lado e cantava Meu Bem?

R- Eu não tinha esta franjinha do Ronnie Von, mas o Tiara jogava pro lado e convidada os cabelos para voltar aos seus lugares. 

Você assistia Perdidos no Espaço ?

R- Sempre que podia dava uma escapada para a casa do Joel Alvim para filar a tevê. Não sabia que estava incomodando e ficava um bom tempo por lá. Eles sempre foram legais comigo. 

Você sabia de cor a música de Bat Masterson?

R _ No velho oeste ele nasceu, e entre bravos se criou. Quer mais?

. Sabe quem foi Phantomas?

R- Fantomas era o lutador de tele-cath, o mascarado vingador. 

. Quem foi Ted Boy Marino?

R – O mocinho deste mesmo Tele-Cath. 

 Você assistia ao Repórter Esso?

Todas às noites, por volta das oito horas, na casa dos pais do Adrian Core.

Assistia ao Toppo Giggio?

R- Era um ratinho chato, importado da Itália, apresentado por Agildo Ribeiro.

Assistia Vila Sésamo?

R – Acho que era na hora das nossas peladas do Rink.

Você sabe quem foi Jonhnny Weissmuller?

R- Êpa, Solon. Este aí foi seu ídolo. É o velho e bom Tarzan.

Assistiu ao Vigilante Rodoviário?

R_ Mais uma saudade das viagens de férias ao Rio. Só via o programa na casa da tia Durvalina.

Sabe quem foi Odorico Paraguassu?

R- Esta até a sua neta sabe, meu caro Solon. 

Você se lembra o que era compacto simples e o que era um compacto duplo?

R – Eu tinha uma coleção destes discos, comprados na Loja do seu José de Assis, com o dinheiro do Vicente Dutra. 

Você já teve um Bamba ?

R-Já rasguei muitos bambas nas quadras do Rink. 

Se lembra do Vulcabrás 752?

R- Não só o 752, mas aquele que servia para freqüentar o colégio o ano inteiro. 

Você usava japona ?

R- Eu tinha uma que até nome recebeu: Cavú, não me pergunte por que.

Quando estudava, os graus eram: primário, admissão,ginásio e científico?

R-Estudei no Prudente, fiz admissão, o ginásio –em oito anos-, comércio e normal. A bola foi minha maior escola.

Você chamava revista em quadrinhos de gibi?

R -Ainda chamo, só que hoje as revistinhas ou são água com açúcar ou então muita violência.

Sua mãe tinha caderneta no armazém?

R- Minha mãe, meu pai, meu avô e até eu, que era mais bobo.

Usou bomba de flit ?

Solon, meu velho amigo. Se não tivesse bomba de flit quem dormia em Miracema?

Já andou de Simca Chambord?

R- Eu não sei se era do Washington Torres ou da Prefeitura, sei que já fiz muita pose num Sinca.

Conheceu o Aero Willys?

Este eu tenho certeza, era da Prefeitura, no tempo do Seu Jamil Cardoso. Era bonito e ficava estacionado em frente ao bar do meu pai.

E o Kharman Guia ? - (que saudade !!!)

R – Saudade, meu velho? Eu me lembro bem do Gordini, do Maioli, que nos levava prá tudo quanto era canto. 

Já andou de Vemaguete?

R- Venha cá, na terrinha, e você verá o do Xico da Gráfica ainda em bom estado.

Já usou gasolina azul no seu carro?

R – Naquele tempo eu nem pensava em ter carro, meu caro amigo.

Sua mãe usava cera Parquetina ?

R- Meus joelhos lembram direitinho desta cera.

Você se lembra do sabão em pó Rinso ?

R- Caramba, como era branca a minha camisa do Nossa Senhora das Graças!!!

Da televisão com seletor de canais rotativo?

R- Eu disse acima que me sou do tempo do televizinho, portanto...

Sua mãe usava bombinha de laquê de plástico?

R- A gente não tinha este luxo todo, era rolinho mesmo.

Voce chegou a usar meia com risca atrás?

R-Êpa!!! Pêra aí. Te me desconhecendo?

E anágua?

R- Nem no carnaval, mas ficava esperando o vento para ver as anáguas das moças. 

 VOCÊ TEVE O PRIVILÉGIO DE VIVER TEMPOS MARAVILHOSOS!!! Será, meu caro Solon? Não seria hoje, como dizia minha Vó Maria, que o tempo é maravilhoso? 

 

quinta-feira, 13 de março de 2025

Ivan Lins e Vitor Martins em ritmo de futebol

 O futebol do Rio, que tristeza, mais parece uma coletânea de músicas da dupla Ivan Lins e Vitor Martins. Na quarta-feira, após mais um fracasso dos outrora poderosos cariocas, os torcedores poderiam cantar os versos de “Somos Todos Iguais Esta Noite”, em que o poeta Vitor Martins definiria assim a vergonha de Flamengo, Fluminense e Vasco: “Somos todos iguais esta noite, na frieza de um rosto pintado, na certeza de um sonho acabado, é o circo de novo”. 

Em quanto isto, lá na Cidade do Aço, os torcedores Ouro/Negro do Voltaço ensaiam a canção “Vitoriosa”, prevendo que com a derrota para o Ipatinga, pela Copa do Brasil, Americano fique cabisbaixo. “Quero a sua risada mais gostosa, este seu jeito de achar, que a vida pode ser maravilhosa”, cantam para o veterano Túlio Maravilha, que empolgado com o novo sucesso, diz até em voltar ao picadeiro.

Mas a dupla Ivan Lins e Vitor Martins ainda oferece um verso para os torcedores cariocas: “Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de abraço, perdoem a falta de espaço, os dias eram assim”. Mas, pensando bem, nem tudo está perdido e em Cartomante vem um recado final para estes torcedores: “Não ande nos bares, esqueça os amigos, não pare nas praças, não corra perigo”. Só assim estes apaixonados flamenguistas, vascaínos e tricolores irão esquecer um pouco a amarga sensação do desprezo e da péssima campanha de seus times nestes dois primeiros meses de 2005. 

A coluna, com seu astral otimista e certa de que nem tudo é baixo astral, dá o último recado da dupla em questão: “Desesperar jamais, aprendemos muito nesses anos, afinal de conta não tem cabimento, entregar o jogo no primeiro tempo. Nada de correr da raia, nada de morrer na praia, nada, nada, nada de esquecer”. Neste balanço de perdas e danos a gente lembra que se não melhorar um pouco mais na Taça Rio o barco vai afundar e nem mesmo a Bandeira do Divino poderá ser erguida para a salvação destes timecos.



Música e o futebol

Sou um cara que adora música, tenho formação musical e por alguns anos soprei um trompete, aquele famoso piston das bandas de música tradicionais, fui crooner de conjunto, hoje bandas de rock ou de músicas modernas, e, sempre que posso, vejo bons programas culturais na tevê. As TVs Sesc e Senado proporcionam ótimos momentos musicais, para quem gosta da música clássica ou erudita. 

Quando vou a São Paulo acompanho meu guru, José Maria de Aquino, na peregrinação artística cultural, que sempre termina em um ótimo restaurante em algum ponto nobre da cidade. Ou seja, nada de presenciar somente futebol. Certo dia o Célio Silva me convidou para ver Santos e Botafogo. Felizmente não vi a virada santista sobre o alvinegro carioca por 2 a 1. Olha, naquele dia era possível até ficar em casa, na do Zé Maria, claro,  com meus olhos atentos a campanha de recuperação do Náutico, que goleou o Juventude por 4 a 1, mas não, aceitei o convite de Lídia, esposa do Célio, para ver um espetáculo no Museu do Ipiranga, ali perto de sua casa. Pelo menos por algumas horas, o futebol deixou de ser minha prioridade profissional e de lazer.

Fomos assistir a apresentação da Orquestra Sinfônica de São Paulo, que tinha na regência o maestro John Neschling. No cardápio, obras de Franz Liszt e de Ferruccio Busoni. Dizer que o programa é espetacular é economizar nos elogios. E quando sai do local passei a entender porque os fãs desse tipo de música torcem o nariz para os acordes simples do rock´n roll ou uma melodia mais simples feita especialmente para vender disco. Não digo que passei a ser fã de música erudita. Mas entendi um pouco da resistência dos seguidores e pesquisadores da chamada música clássica.

O amigo pode estar se perguntando, intrigado: afinal, qual a relação de um concerto de música clássica e o futebol? Simples: o episódio me fez reservar uma porção de compreensão aos cronistas esportivos que defendem o futebol arte das décadas de 1950, 1960, 1970 ou até 1980.

Pare e analise: por anos e anos, o sujeito conviveu aos domingos com craques do naipe de Didi, Pelé, Pepe, Garrincha, Rivelino, Gerson, Zizinho, Carpegiani, Zico, Reinaldo, Roberto Dinamite, Tostão, Dirceu Lopes, entre outros. Presenciou esses craques em estádios lotados e sem um pingo de confusão. Torcida Organizada era apenas sinônimo de fila na catraca. O camarada saiu às ruas para comemorar três títulos mundiais sempre sob o signo da arte e do talento. De quebra, ninguém era vendido ao exterior. Os campeonatos europeus eram eventos exóticos e que abrigava apenas atletas brasileiros que já tinham dado sua contribuição à Seleção Brasileira. Ou não tinham nada a almejar com a camisa amarela. 

Hoje, o torcedor vê todos os dias um craque despedindo-se dos gramados brasileiros. Craques? Contentamo-nos com Toró, Pierre, Thiago Neves, Zelão, Gustavo Nery, Souza, Ibson, Marcel, Fernandão...tudo craque de segunda linha. Analiso o futebol europeu por um motivo: convivo com ele quase que diariamente, via tevê. Tenho amigos fanáticos por Liverpool, Manchester, Milan e Benfica, por exemplo, que só verei, ao vivo, se resolver fazer um tour pela Europa, mas para isto falta o principal, grana. Muita grana, a não ser que a Espn resolva me premiar novamente, com aquela passagem, para algum país europeu. 

Tento analisar o que está próximo. E infelizmente, o quadro é terrível. Os jogos do Campeonato Brasileiro se transformaram em ringues com grama. O vale tudo prevalece. Fica a pergunta: como pedir complacência a quem já presenciou a fina flor do futebol brasileiro? Tenho visto uma imensidão de jogos pelos campeonatos europeus, já escrevi aqui sobre o assunto, e esta semana mais uma vez fiquei encantado com o trio de ferro inglês, Manchester, Arsenal e Liverpool. O Chelsea não está me convencendo.Mas o trio é fantástico, seus jogos, naqueles gramados que parecem tapetes verdes, são como um espetáculo dos Três Tenores, Pavarotti, Carreras e Plácido Domingos, você ouve em silêncio e aplaude no fim.

 É duro admitir: os amantes da música clássica e erudita ainda possuem orquestras sinfônicas para manter a tradição e deleitar seus ouvidos. Já os aficionados do futebol arte só possuem uma saída: o aparelho de DVD de sua residência. Triste. Gosto das valsas vienenses, de Strauss, assim como gosto das belas jogadas de Cristiano Ronaldo. Sou fã de Schubert, mas não dispenso as atuações maviosas de Lionel Messi, que como Gardel nos deixa de queixo caído com suas interpretações. De Verdi, com suas composições rápidas e que fazem apologia ao amor e a guerra, tiro a comparação com o futebol italiano, sempre às voltas com brigas, mortes e amor sem compromisso. 

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

Arrumando o armário da garagem

Se dar-te um beijo é pecado, eu quero morrer de amor... Assim dizia, em uma de suas belas trovas, o professor/poeta Osmar Barbosa, um dos grandes sábios que passaram pelo Colégio Miracemense nas décadas de 60 e 70, de onde saiu para brilhar na serra friburguense. 

Se amar-te é perder a vida... Completava o poeta nesta mesma trova de amor, não se sabe a quem dedicada, e por mim e pela turma da Gráfica Normalista, liderada pelo meu tio Ary, inserida em um de seus livros, “Para as mãos do meu amor”, que hoje achei amarelado, empoeirado, mas ainda com páginas livres dos arranhões ou riscos de lápis ou caneta de um depredador qualquer. 

Ao arrumar o armário da família, na garagem de meu prédio, além da bela surpresa de encontrar o livro de Osmar Barbosa (*), tive a felicidade de achar uma partitura de um dobrado, pena que eu não toque mais o meu piston, se não os moradores do Condomínio Itaparica, aqui em Campos, fechariam as janelas, desceriam à rua e me apedrejariam sem dó ou piedade, afinal o som estridente do meu instrumento favorito, aliado a má qualidade do sopro, seria demais para os amigos vizinhos. 

Liguei imediatamente para meu amigo, e guru, Ermenegildo Sollon, um expert em música e amigo do maestro Zeca Garcia, autor do arranjo em questão, e começamos uma conversa, que passou pelo Colégio Miracemense, onde estudamos, claro que em décadas diferentes, ele em 40/50 e o escriba aqui entre 60/70, meus professores, muito deles, eram seus contemporâneos e ao falarmos da Banda Sete bateu saudade do Daniel Pimenta, pai do Paulo, Lula, Bizuca, todos meus velhos e bons amigos, exceto o Adailton, que é o Bizuca, eram parceiros da nossa velha e boa Sociedade Musical Sete de Setembro, na ocasião regida por este mesmo Zeca Garcia, que apesar do jeito duro e severo, era uma doce criatura, e me fez apaixonar pela música e pelo piston.

Solon me falava sobre um texto, do Maurício Monteiro, sobre o coreto que o prefeito de Miracema, Carlos Roberto Freitas de Medeiros, mandou refazer e, pelo visto, ficará tal qual era quando ali subi, pela primeira vez, para uma retreta da nossa Sete de Setembro, era eu um guri de pouco mais de 12 anos, que pouco tempo depois chorava e lamentava a derrubada daquele ícone de nossa infância, mas pelo visto teremos novas emoções e vamos poder mostrar aos nossos descendentes como era gostoso brincar na Praça Dona Ermelinda.

Ali a gente não escrevia trovas, ensinadas nas salas de aulas de português, pelo professor/poeta Osmar Barbosa, não jogávamos basquete, orientados pelo professor Nézio, nem mesmo fazíamos ginásticas, liderados pelo professor Manoel Soutinho, mas corríamos do Neca Solão, que dominava a área, do Tinoco, um guarda de trânsito severo e impiedoso em sua missão de não deixar a bola rolar na grama do jardim, e mesmo assim formávamos, eu, Julio e Gutinho (hoje o Tiara) bons jogos de bola de meia ou de borracha, e nossos adversários, às vezes o Custódio (hoje desembargador), o Ivan, craque de bola, Nandinho ou o Neném da dona Darquinha Cabeleireira. 

O Maurício Monteiro, permissão para reproduzir um pedaço do texto meu caro amigo, diz assim: “Eu não tenho dúvidas de que à medida que os tapumes que cercam o Jardim de Miracema forem retirados, ele irá figurar como o mais belo do Noroeste do Estado, um orgulho para Miracema que é pobre em matéria de Praças. Admirado desdeos idos de 1920 quando o Presidente do Estado Nilo Peçanha o visitou. 

Ele, agora, foi projetado por técnicos e executado pelo Dr. Antônio Augusto Tostes, o Guta, que tem se esforçado para dotar nossa terra de uma praça que voltará a ser o Point da cidade como foi outrora. O mesmo acontecerá com a Praça das Mães. 

O coreto é uma réplica fiel do antigo, com todos os detalhes, e devolverá à cidade a sua marca registrada desde que foi inaugurado na década de 1930 pelo Prefeito Altivo Mendes Linhares que, mais tarde, muito se entristecia ao ver o Rink coberto com folhas de zinco: parecia mais uma tulha de fazenda desfigurando completamente o seu traçado original. Coube ao Prefeito Jairo Tostes desmanchá-lo e devolver o seu antigo traçado.” 

Assim, meu caro prefeito, termino esta crônica enviando a você, meu companheiro de sala de aula, do Nossa Senhora das Graças, te abraço fraternalmente e agradeço por me fazer cantar Ataulfo Alves: “Eu daria tudo que eu pudesse, prá voltar aos tempos de criança... Obrigado, Carlos Roberto.  

*Nota autor: O livro "Para as mãos do meu amor..." já sumiu de novo, ele não quer ficar em minhas mãos. 

segunda-feira, 10 de março de 2025

Minhas histórias na Terrinha - Banda Sete de Setembro

 Eu sempre digo que já fiz de tudo na minha Miracema, e hoje começo a contar um pouco do que fiz, do que fui e o que deixei de bom na terra que me viu nascer e que aprendi a amar com toda força. Fui músico, joguei futebol, cantei em conjuntos musicais e festivais de música, locutor de carro de som e da nossa Rádio Princesinha e fui muito ativo como dirigente do Grêmio do Miracemense e, se não me dei bem na Maçonaria não foi por minha culpa, mas deixei minha marca no Rotary Clube até quando deixei a cidade para tentar a sorte em um novo destino. 

Hoje começo a contar a minha história com Miracema, poderia começar pelas peladas do Ginásio, pelo nosso Vasquinho, ou até mesmo pelos teatros do Prudente de Moraes, mas escolhi falar de um outro amor deste escriba, que já é um velho escriba, a Sociedade Musical 7 de setembro, a nossa tradicional e centenária Banda Sete, famosa e inesquecível. 

Foram seis anos por lá, dos 14 aos 20 anos, e convivi com grandes músicos e grandes maestros, aprendi muito com José Viana, Sargento José Orçay, mestres que me ensinaram os truques do sopro de um piston, com Maestro José Garcia, que me ensinou a ler uma partitura apesar de não gostar muito, preferia tocar de "ouvido" que aprendi desde que tocava na minha improvisada corneta feita de uma mangueira, um bocal de pia e um funil, imaginação de um garoto de dez anos já apaixonado pela música.

Participei com os grandes nomes da Banda Sete, como José Meireles, um baita pistonista, o velho Pimenta pai, que marcava na tuba o compasso da banda e seu filho Lula o substituiu tempos depois, e, além do Lula, na tuba, o Paulo, no sax também fazendo a marcação. Inesquecível Waldemar Nascimento, aquele mesmo veterano do Colégio Miracemense, meu grande companheiro da Sete e do Conjunto do Zé Viana. 

Novos talentos, como Roberto, no trombone, Gil, no piston e Jorge, no sax, os dois filhos do Maestro Garcia, e minha mana Teresa, no Saxofone. Sei que esqueço de muitos outros, e como esqueço eu sei disso, certo Coronel Jorge Orçay? Certo Dr. Celestino Sales, mas não esqueço do nosso eterno presidente, Hélcio Bastos, um incentivador e apaixonado, como meu pai, pela Sociedade Musical Sete de Setembro. 

Dedicatória

  Que bonito esse momento… abrir um livro é como abrir o coração na primeira página. Aqui vai uma dedicatória à altura da sua caminhada: ...