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Mostrando postagens de julho, 2025

Adilson Dutra, mas podem me chamar de Penacho

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    Quando nasci, em 03 de janeiro de 1950, Miracema ainda não havia completado idade para ser uma debutante, tinha apenas quatorze anos de emancipada e cheguei para  o mundo na casa número 174, da Praça Ary Parreiras, centro nevrálgico da cidade, bem em frente da recém inaugurada Prefeitura, um pouco abaixo da Igreja de Santo Antônio,  próximo da Praça Dona Ermelinda e do Jardim da Cidade, um dos mais belos de todo o Norte Fluminense, como era designada a nossa região naqueles anos 1950.  Dizem, os mais antigos e os jogadores de sinuca do Bar do Vicente, meu avô, que eu vim ao mundo em uma mesa de bilhar, trazido pela Dona Nair, a parteira oficial de Miracema, pois não havia um outro lugar na casa que pudesse fazer o parto decentemente, não tenho comprovação, mas se o povo diz é porque tem razões para tal.  Meus pais,  Eusébio Dutra Neto, filho de Vicente e e Maria José Dutra, e Maria Picanço Dutra, a Lili, filha de Cornélio e Almerinda Freitas Picanç...

E na vitrola o som do Jonhy Rivers

    Sei lá, acho que lá se vão cinquenta anos ou mais daqueles bailes nas varandas das nossas casas, lá na Terrinha. Os garotos já estão com netos quase na idade da que tínhamos e o som que ouvíamos hoje não cai muito bem no gosto da moçada moderna. Uma Sonata, que ainda deve ter por aí alguma para matar a saudade, resolvia o problema e os compactos, simples ou duplos, e LPs faziam as duas ou três horas de dança sem maldade, sem culpa e, às vezes, rolava um rostinho colado e nada mais. Tempo de felicidade pura, de simplicidade e de música de qualidade em nossas reuniões. A nossa varanda, na casa em frente a Prefeitura, era uma das preferidas da turma, ali perto, no Seu Neném Braga, era outro território aprovado pela rapaziada, Seu Noqueta, mais embaixo um pouco, também permitia os nossos bailinhos que na cidade, em todos os bairros, virou febre e era comum receber um convite para dançar nas casas dos amigos ao som de Trini Lopez e suas guarânias como La Bamba e o famoso charar...

A seresta do Menestrel no bar do Amado

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Amado era um cara simpático, amigo de longa data do meu pai e, como ele, também mantinha um bar aberto e com uma frequesia bem  diversificada.  Apenas com uma diferença: Meu avô e meu pai fechavam o estabelecimento, localizado em frente a Prefeitura de Miracema,  logo após o anoitecer, somente em festas da igreja ou da cidade é que nosso bar não funcionava até tarde da noite, diferente do velho Amado, cujo bar ganhava movimentação justamente no fim de tarde e no cair da noite.  Recordo que Amado praticamente rodou por três ou quatro bairros da cidade, conheci o primeiro, na Rua da Capivara, o segundo, eu já quase adulto tocando e cantando no Conjunto do Zé Viana na Sociedade Operária.  Na parte debaixo do prédio, estava o Bar do Amado, com seus petiscos e suas bebidas quentes servindo as garotas e rapazes que subiam as escadas para dançar, aos sábados e domingos, ao som do nosso conjunto  Amado, no seu penúltimo endereço, pelo menos é o que posso informar, ...

Vai uma "vaca preta" aí?

    Uma grande história começa com um grande cara, e este cara não sou eu, e sim o libanês Abdo Eid-Nassar, ou simplesmente o Seu Ábdo, dono das melhores receitas de picolé e sorvete que vimos e saboreamos na nossa Miracema, que, penso eu, durou pelo menos uns trinta anos de sucesso e dedicação total dele e de sua família.  Tenho boa memória, mas posso falhar no contar a história desta Sorveteria, que antes de ser a Sorveteria Miracema, funcionando em frente ao Bar Pracinha e ao lado do Bar Central, do Vavate e depois do Zé Careca, começou como Picolé Sibéria, estabelecida na esquina da Marechal Floriano com Barroso de Carvalho, a rua do Aero Clube. O picolé, com  aquele sabor inconfundível do Picolé Sibéria fez com que o pensamento do Seu Ábdo se voltasse para um lugar onde pudesse fazer seus sorvetes e  pudesse ter uma cozinha para preparar os quibes e os hamus que dominavam as vendas em seu bar/sorveteria. Sempre tive o carinho e o respeito deste moço, patríc...

O bife do Angeludo

    Seguindo a trilha dos grandes bares da nossa Miracema, principalmente os tradicionais da Rua Direita, vamos ao Bar Leader, do grande o Zé Careca, ainda naquele prédio antigo, quase na esquina com Rua Coronel Josino, bem ao lado do Rei dos Barateiros, do José Ferreira de Assis. O ponto de encontro, como era no Bar Pracinha, de comerciantes, fazendeiros e estudantes, que escolheram aquele lugar para encontrar aquele lanche pós aula noturna e por boêmios que viam no bife do Angiludo Cagiano o prato principal de suas pós noitadas já que o bar funcionava até um pouco mais tarde.  Por muitas vezes aquele era o nosso lugar de parada ao retornar de Pádua, onde íamos, eu, Elierto Carvalho e Cleomo Schueler, falecido precocemente antes de viver a vida inrtensa que desejava, encontrar com aquelas que seriam, mais tarde, nossas esposas, e o Bife do Giludo era tudo de bom e o alimento que faltava para completar a noite, já em Miracema, por volta da meia noite.  E o que era es...

Na calçada do Armazém

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Chegou  sexta-feira e sexta-feira é dia de visitar o Armazém do Lenílson para papear com os velhos amigos, que por lá aparecem para "sextar", degustar uma boa cerveja e um excelente papo de bola, de viagem, de vida.  A política é proibida pela turma desde sempre.  E à noite foi reservada para um papo de viagem, Evaldo de Andrade, nosso velho companheiro e amigo do rádio campista, locutor de grande audiência na Planície Goitacá e região, queria saber um pouco das minhas andanças, e, como sou um contador de história inveterado, resolvi dividir o papo com o Marco Aurélio, que já rodou um pouco e hoje aposentou o volante e as poltronas dos aviões.  Evaldo, como todos da mesa, incluído aqui o proprietário, Lenilson, queria saber onde foi mais complicado conversar ou me fazer entender. Expliquei que hoje não vejo mais dificuldades de comunicação, os aplicativos para tradução simultânea são instalados e bem utilizados.  Mas, há algum tempo, na Hungria em 2013, foi bem ...

Os "donos" da bola

    E, continuando a prosa abaixo, com os amigos da "Terrinha" um assunto não poderia faltar nestes conversas sobre nossa Miracema, o futebol, que um dia foi empolgante e dinâmico na cidade e o Estádio Muncipal Plínio Bastos de Barros, hoje passando por nova reforma depois de quase destruído, mas não é sobre estádio ou público que conversaremos a seguir e sim pelos homens que fizeram o futebol da "Terrinha" se desenvolver e cair no gosto do torcedor miracemense.  Eu, falando na primeira pessoa, comecei garoto e tive a melhor experiência que um jovem da cidade poderia ter, passei do infantil ao time principal com vários treinadores, todos ex-jogadores de qualidade, a começar pelo Mestre Bitico (Alberto da Silva Carvalho), que foi um dos mais brilhantes craques do nosso futebol e criou o seu infantil que revelou praticamente toda a geração que fez sucesso por longos anos na nossa Miracema, um abnegado que descobriu talentos nos anos 1960. Edson Barros Costa, apaixonad...

No balcão do Bar Pracinha

    O Bar Pracinha, que eu conheci na esquina da Francisco Procópio com a Rua Direita, tem histórias incríveis e personagens maravilhosos, ricos, pobres, brancos, negros, mulatos ou índios, viveram momentos incríveis naquele que foi, no meu ponto de vista, o mais  elegante da cidade, principalmente o prédio antigo, o da citada esquina, já comentado em outras colunas e crônicas, tem uma inspiração nos bares europeus dos anos 1950.  Eu conheci o Bar Pracinha já na administração dos Irmãos Salim (Jofre, Nacif e José), que vieram de Palma/MG para viver seus grandes momentos em Miracema e comandaram aquele estabelecimento com amor, dedicação e com muita inovação para aquela cidade, que vivia um momento de ascendência comercial e industrial, creio que o melhor momento do município.  Cada um de nós, garotos ou senhores que vivenciaram o Bar Pracinha até seu fechamento, hoje ali funciona o Supermercado Ramos, o mais completo da cidade, e tenho na memória várias passagen...

Os bares da cidade

    Esta semana conversei muito com os amigos da "Terrinha", via celular e whatsapp, sempre comentando sobre o que vivemos, o que presenciamos naquele canto do hoje Noroeste Fluminense, e, claro, muita saudade rolou e muita prosa sobre bailinhos, peladas no Ginásio, o Cine XV, sem esquecer o Cine 7, e por aí foram mais de dez horas de papo com cinco ou seis amigos de infância, juventude e até mesmo da vida adulta, que sempre estarão na memória e no coração deste escriba.  Não dá para voltar ao assunto, creio que já escrevi sobre tudo isto e muito mais nas minhas crônicas do meu blog e por aqui, neste Papo de Botequim,, onde reservo para falar de tudo e um pouco mais, as vezes me pego contando viagens e em cada lugar que escrevo tem um pouco de Miracema, como em Portugal, na cidade de Valença, divisa com a Espanha, onde entramos, em 2015, vindo de Santiago de Compostela.  Os mais novos ficarão sem ação para conversar com amigos, mas o antigos, principalmente os de min...

Devaneios de um Mulambo

    Ontem fui dormir, não vi futebol e fiquei ouvindo minhas músicas no Spotify, que aliás está cada dia melhor, estou conseguindo fazer minhas playlists com muito carinho (quem quiser é só pedir) e duas músicas me chamaram a atenção já entrando na madrugada, o fone no ouvido e as letras girando na telinha do celular não me deixavam dormir,  confesso que não estava muito afim de ir para os braços de morfeu. A primeira, letra de Augusto Mesquita, que anda em voga nestas eleições e me remetem a outras tantas que  vivi neste país de políticos mentirosos e corruptos. A letra me coloca nos debates, que não assisti, e nas propagandas das tevês abertas, que às vezes fui obrigado a ver e me irritar.  Qual é a música? Perguntaria Silvio Santos (era ele mesmo o dono deste quadro?), Molambo, cuja interpretação mais marcante, para este que vos escreve, não foi de nenhum seresteiro mor e sim do grupo Os Incríveis.  "Eu sei que é tudo mentira e  não pode ser, o que ...

Antoninho quer ir a Lisboa

Dois meses atrás meu amigo Antoninho me falou: - Dutra, quero ir a Portugal em outubro, vamos? Disse que não dava, mas queria combinar algo com ele. Expliquei o que pretendia. Alguns dias depois Antoninho chega na fila do pão e me diz que irá em 6 de outubro, desce em Lisboa e no dia 12 estará em Fátima para celebrar os 300 anos do aparecimento da imagem de Nossa Senhora, a nossa Padroeira Aparecida, nas águas do Paraíba. - Dutra, o que você queria combinar comigo? Pergunta Antoninho. Já tinha me esquecido, mas rapidamente voltei a fita e me lembrei. - Seguinte, amigo, eu quero sair para Belo Horizonte no mesmo momento, ou quase isto, que seu voo decolar do Galeão, quando sair me avise e quando chegar passe mensagem. Combinei com ele. - Saio dia 6/10, em voo das 8:45h, da TAP. Informou Antoninho. Ferrou, pensei eu, acreditei que fosse no voo noturno, 18;45h, mas tudo bem, deve ter um ônibus por perto saindo pela manhã. Bingo! Achei Macaé x BH saindo das 9:15h e daria certo o que imagin...

Ave Esperança na Franca do Imperador

    Algum tempo atrás, não me recordo o ano exato, em Franca, interior de São Paulo, onde estava com o José Maria de Aquino para acompanhar Francana x São Paulo,  ele comentando para a Rede Globo e eu, claro, de acompanhante e na boa ali na cabine com o grande Osmar de Oliveira, médico e narrador de alto nível, uma manhã de domingo de forte calor, mas nada que um bom caldo de cana e um ótimo pastel não aliviasse a o calor e a fome, afinal o jogo começou às onze da manhã. Voltando 24 horas no tempo, no exato momento em que chegamos ao Hotel Imperador, lá, diga-se de passagem, tudo leva (pelo menos era assim nos anos 80) "Imperador" como título, como por exemplo a emissora de rádio que faz parte deste causo bem legal, vivido por este contador de histórias, na cidade de Franca, do Imperador em um dia qualquer de um ano qualquer da década de 1980. Chegamos ao hotel por volta do meio dia, uma longa viagem na Veraneio da Globo, me senti um superstar andando no veículo ofic...

Personagens inesquecíveis da Terrinha

    Estou na terrinha desde cedo, hoje é quinta-feira e aposentado tem estas prioridades, deu vontade de vir até aqui e venho, não tenho nada que me prenda a Campos, exceto quando a neta precisa de alguém que substitua a mãe na hora de cuidar da guria, no mais nada a fazer, e, seguindo o conselho do Zé Maria de Aquino, cá estou sempre que posso ou me “dê na telha”. E é só chegar por aqui e começam as “cobranças” dos amigos sobre o que escrevi, o que vou escrever e o que tenho em pauta para as próximas colunas. Sentei para almoçar no Bar do Cabeção e o assunto, como sempre, é a coluna da semana no Dois Estados, cheguei no jardim, para aquela visita rotineira ao meu lugar favorito em Miracema, e o Sabiá pergunta: “Quando é que você vai contar minha história aqui no parquinho?” Na Kiskina, na hora do lanche, recebo o jornal da Tia Ricarda e do Jadinho Alvim, Liberdade de Expressão, e vou logo na página onde a June Carvalho escreve suas histórias e na central, onde o Erasmo Tostes...

O jardim, o pé de jambo, o coreto e a praça

 Andava meio cabisbaixo, uma depressão querendo chegar e forçando a barra, resolvi ir a Miracema passar uns dias com amigos para ver se o alto astral, que sempre me dominou, voltasse com a presença de pessoas que gosto e que sei que gostam de mim. Já disse aqui que o Jardim de Miracema e seus bancos sempre foram meus refúgios favoritos, sempre afastado da principal passagem, me sento por ali e começo a recordar grandes momentos vividos naquela praça e naquele entorno maravilhoso e mágico.  Sentar ali, já dizia meu velho guru, Ermenegildo Solon, é um santo remédio principalmente para quem viveu intensamente o lugar e os arredores. Olhava para o Jardim de Infância Clarinda Damasceno e revia as professoras maravilhosas, não as chamávamos de "tias"  apenas de professora ou dona, sem citar nomes para não esquecer de algumas, você, que vi viveu este momento, faça uma reflexão e lembre de sua professora ou de algumas delas.  Por ali, nos bancos do jardim, olho o Rink e me v...