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Mostrando postagens de março, 2025

Eu... Motta e a música de Cartola

Quatro horas da tarde. Lá fora o sol forte, aqui dentro o ar refrigerado ligado no limite e na vitrola o disco de João Gilberto, em volume médio, toca para motivar este velho escriba a falar sobre música e artistas. Ligo para meu amigo Motta, meu fiel escudeiro quando o assunto é Flamengo e música.  O telefone toca. Penso em não atender. Marina chama: É prá você. É o Motta. Bingo. Era o que precisava para traduzir certas canções de Cartola. Pensava até em ligar para o Nascimento, lá em Miracema, mas a ligação do carioca chegou na hora.  Fala aí, amigo velho. – Amigo velho, não. Velho amigo. Fica mais poético e mais saudável. – O que manda? – Acho que preciso de alguém para conversar, estou só e os dedos estão cansados demais para dedilhar nas teclas do computador.  – Até que gostei de sua ligação. Estava pensando em fazer umas colocações sobre a música de Cartola e só mesmo quem viveu estes momentos pode dividir comigo a leitura da obra do grande mestre da MPB. – Diga o q...

A Parabóllica

Aquele barzinho, encravado no final da Rua das Palmeiras, era sombrio demais para o garoto Valtinho. O bar, herança de família, estava circundado de concorrentes fortes, como a Pizzari   a Cinderela, famosa em todo o bairro e uma das melhores da cidade. Logo acima, no trecho mais nobre da Rua Direita, o Bar Para Todos ocupava um bom espaço da esquina e reunia, em suas mesas e balcões, a fina flor da sociedade.  O Para Todos tinha música ao vivo, aos finais de semana, servia refeições à la carte e o famoso self-service, que atualmente é a ultima moda entre os comensais. Valtinho não sabia o que fazer para reunir em suas poucas mesas e no seu pequeno espaço, alguns fregueses que pudessem levantar o seu astral e sua renda mensal, média de pouco mais de um salário mínimo. – Faça promoção de cerveja. Pedia o vendedor. – Coloque propaganda nos bancos e dê desconto aos bancários. Dizia um freguês, bancário e certo que levaria vantagem no negócio de Valtinho. Ermenegildo Solon, jornal...

NA TARDE DE DOMINGO

  Hoje é domingo e para nós, boleiros amantes de um bom futebol - pode até ser uma pelada, né mesmo? - estamos tristes com este domingão vazio e mais parecendo um daqueles dias de dezembro, vésperas de Natal, quando a bola para de rolar e a gente fica assim como se estivesse faltando alguma coisa em nossas vidas. Ah, tem jogo da seleção brasileira logo mais! Me diz Júnior, no armazém do Lenilson. Certo, mas contra a Bolívia, lá nas alturas, com o time desfalcado, ainda bem que tem Adriano prometendo gols, e um joguinho que não vale nada, nem mesmo para os bolivianos. Nem mesmo uma peladinha pela segunda divisão por aqui, a Ferj colocou o jogo do Goytacaz, no Arisão, ontem, contra o Nova Iguaçu, justamente no horário de Flamengo e São Paulo, que passou na tevê e os bares ficaram lotados e o a Rua do Gás até que teve um bom movimento. Esta turma alvianil é mesmo fanática pelo Goytacaz, benza Deus. Hoje pelo menos é dia de lembrar alguns lances do meu tempo de rádio, lá na "terrinha...

Uma lenda chamada Jair Polaca

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                                                                                                                      Comenda Jair Polaca  Jair do Nascimento é um personagem folclórico de nossa cidade, não fosse ele um ex-jogador raçudo e com um chute forte, segundo seus amigos um “coice de mula”, e um destruidor de mangueiras. Quem melhor narra as peripécias de Polaca é o conterrâneo e amigo, José Maria de Aquino, que tem no Polaca um de seus ídolos do futebol. Reza a lenda que Jair “matou” todas as mangueiras do grupo escolar com seus chutes fortes, que jamais acertavam as redes adversárias e sempre vazavam o muro do pequeno campo de treino explodindo nas árvores do colégio, onde ficava o g...

Uma roda de papo com meus gurus

         ¼       ¨       ¨       ¨       ¨        Ù   Viajei no tempo...   Meu guru, Ermenegildo Solon, visitou Miracema recentemente e riu escancaradamente em suas conversas com amigos mais chegados. Eles, os amigos, comentavam sobre alguns e-mails chegados em suas máquinas de fazer loucos e em um destes sinalizava a irremediável passagem do tempo. Um sorriso ali, uma gargalhada aqui e aos poucos os motivos de tanta alegria eram colocados à mesa. A seu lado, como sempre, cinquentões e sessentões animados com a visita do ilustre conterrâneo faziam de tudo para arrancar algum comentário mais intimo da figura, que naquela altura da conversa já tinha algum ponto de vista formado. Sentei-me ao lado do Aquino, que também nos dava a honra de sua visita, e esperei pela chegada do Mendes, por sinal um dos mais antigos da roda e o mais costumas consumidor d...

Ivan Lins e Vitor Martins em ritmo de futebol

  O futebol do Rio, que tristeza, mais parece uma coletânea de músicas da dupla Ivan Lins e Vitor Martins. Na quarta-feira, após mais um fracasso dos outrora poderosos cariocas, os torcedores poderiam cantar os versos de “Somos Todos Iguais Esta Noite”, em que o poeta Vitor Martins definiria assim a vergonha de Flamengo, Fluminense e Vasco: “Somos todos iguais esta noite, na frieza de um rosto pintado, na certeza de um sonho acabado, é o circo de novo”.  Em quanto isto, lá na Cidade do Aço, os torcedores Ouro/Negro do Voltaço ensaiam a canção “Vitoriosa”, prevendo que com a derrota para o Ipatinga, pela Copa do Brasil, Americano fique cabisbaixo. “Quero a sua risada mais gostosa, este seu jeito de achar, que a vida pode ser maravilhosa”, cantam para o veterano Túlio Maravilha, que empolgado com o novo sucesso, diz até em voltar ao picadeiro. Mas a dupla Ivan Lins e Vitor Martins ainda oferece um verso para os torcedores cariocas: “Perdoem a cara amarrada, perdoem a falta de ab...

Música e o futebol

Sou um cara que adora música, tenho formação musical e por alguns anos soprei um trompete, aquele famoso piston das bandas de música tradicionais, fui crooner de conjunto, hoje bandas de rock ou de músicas modernas, e, sempre que posso, vejo bons programas culturais na tevê. As TVs Sesc e Senado proporcionam ótimos momentos musicais, para quem gosta da música clássica ou erudita.  Quando vou a São Paulo acompanho meu guru, José Maria de Aquino, na peregrinação artística cultural, que sempre termina em um ótimo restaurante em algum ponto nobre da cidade.  Ou seja, nada de presenciar somente futebol. Certo dia o Célio Silva me convidou para ver Santos e Botafogo. Felizmente não vi a virada santista sobre o alvinegro carioca por 2 a 1. Olha, naquele dia era possível até ficar em casa, na do Zé Maria, claro,  com meus olhos atentos a campanha de recuperação do Náutico, que goleou o Juventude por 4 a 1, mas não, aceitei o convite de Lídia, esposa do Célio, para ver um espetácu...

Arrumando o armário da garagem

Se dar-te um beijo é pecado, eu quero morrer de amor... Assim dizia, em uma de suas belas trovas, o professor/poeta Osmar Barbosa, um dos grandes sábios que passaram pelo Colégio Miracemense nas décadas de 60 e 70, de onde saiu para brilhar na serra friburguense.  Se amar-te é perder a vida... Completava o poeta nesta mesma trova de amor, não se sabe a quem dedicada, e por mim e pela turma da Gráfica Normalista, liderada pelo meu tio Ary, inserida em um de seus livros, “Para as mãos do meu amor”, que hoje achei amarelado, empoeirado, mas ainda com páginas livres dos arranhões ou riscos de lápis ou caneta de um depredador qualquer.  Ao arrumar o armário da família, na garagem de meu prédio, além da bela surpresa de encontrar o livro de Osmar Barbosa (*), tive a felicidade de achar uma partitura de um dobrado, pena que eu não toque mais o meu piston, se não os moradores do Condomínio Itaparica, aqui em Campos, fechariam as janelas, desceriam à rua e me apedrejariam sem dó ou pie...

Minhas histórias na Terrinha - Banda Sete de Setembro

 Eu sempre digo que já fiz de tudo na minha Miracema, e hoje começo a contar um pouco do que fiz, do que fui e o que deixei de bom na terra que me viu nascer e que aprendi a amar com toda força. Fui músico, joguei futebol, cantei em conjuntos musicais e festivais de música, locutor de carro de som e da nossa Rádio Princesinha e fui muito ativo como dirigente do Grêmio do Miracemense e, se não me dei bem na Maçonaria não foi por minha culpa, mas deixei minha marca no Rotary Clube até quando deixei a cidade para tentar a sorte em um novo destino.  Hoje começo a contar a minha história com Miracema, poderia começar pelas peladas do Ginásio, pelo nosso Vasquinho, ou até mesmo pelos teatros do Prudente de Moraes, mas escolhi falar de um outro amor deste escriba, que já é um velho escriba, a Sociedade Musical 7 de setembro, a nossa tradicional e centenária Banda Sete, famosa e inesquecível.  Foram seis anos por lá, dos 14 aos 20 anos, e convivi com grandes músicos e grandes mae...