quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

E já se foram 40 anos

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

GOSTEI E ESTOU CHEGANDO PARA FICAr

Meu filho falou nesta página, boa por sinal, e entrei de araque, pois não tinha nada prá fazer neste sábado, à tarde. Vi, gostei e fiquei até ler tudo sobre o Americano, que é de Campos, mas revelou jogadores miracemenses, como o Célio Silva, e sobre Miracema, êta saudade besta, sô. 

Li o Kasal, será que é o mesmo Carlos Augusto, filho do Dr. Ururay? Nos meus tempos não fui amigo dele, mas sabia de sua inteligência e de sua liderança. Ele disse que está em Vitória, ES, legal. Deve estar bem, tomara. Li um punhado de gente que não conheço, mas devem ser netos ou filhos de algum conhecido ou amigo meu, que deixei naquela terra que abandonei há mais de 20 anos e nunca mais, infelizmente, voltei. 

As sátiras do tal de Ermelindo, deve ser apelido, são excelentes, as crônicas dos garotos, meu filho disse que são meninos e o Caio é filho do Ronaldo Lima, da Cerj, meu velho parceiro de botequim e bailes no Aero Clube e Ferreira da Luz. Me lembro de um dos últimos, com o Waldir Calmon, no Ferreira, que coisa linda, casa lotada e meninas lindas, quanta elegância, ainda existem bailes por aqueles lados? 

Li até uma crônica do Álvaro Quadros, será parente do Jânio? Que dizia que a Exposição está chegando, como falou o garoto do JB, Caio, que tem saudades do Bazar Leader, acabou ou mudou de nome?

 Meu filho me corrige e diz que é uma das grandes lojas de departamentos do estado, legal, viu como é bom pedir alguém para corrigir nossas escritas? Mas, voltando a página, foi bom ter descoberto e foi bom ter lido vocês todos. 

Espero que a gente se encontre em outras oportunidades, pois tenho algum tempo disponível aqui neste recanto maravilhoso que é Londrina-PR, onde curto a vida ajudado pelos filhos, que criei com sacrifício e hoje tenho um veterinário, em São Paulo, um fazendeiro, aqui mesmo, e um tentando ser fluminense, em Niterói, onde se casou e está advogando. Por falar em Kasal, tenho um amigo que é amigo dele e anda sumido as pampas, Zé Carlos Coelho, bom companheiro. 

Acho que vou parar por aqui, senão fica longo e chato. Um abraço e até outra vez. 

J.C. Alves Moreira - Londrina-PR 

moreiralondrina@globo.com.br

Legal... reminisceências

José Maria de Aquino 

Só pergunto, como curioso. não valeria a pena continuar com o turismo/cidade? No futuro, breve ou longo, não renderia? Mas, vamos lá. Por falar em Miracema, lembro-me do dia em que bati o record de corrida e salto ao muro.

Torcedor do Miracemense - eu juro que antes a camisa tinha um vermelhinho em qualquer lugar, para não ser só alvinegra - sempre time muito trabalho para pular o muro do velho estádio da rua Laje, e sempre fiquei atrás do gol, perto do muro que dividia o campo com a casa da tia Antonia.

Era difícil pular o muro, porque o Zé Miséria era meu tio e, me reconhecendo em qualquer lugar, sempre me colocava para fora do estádio. E aí começava tudo novamente. Achar um lugar longe dos olhos dos pernas negras (polícia da época)e do Zé Miséria, honesto, durão, chato. Se os porteiros do Maracanã fossem iguais a ele, não haveria evasão de renda, eu juro.

Mas compensava a correria para ver de perto Jair Polaca, Plácido, Parafuso, França, Bitico. Especialmente me divertia com o medo do Bitico, que pulava fora só com o vento que o lateral adversário deslocava ao partir para cima dele, e em gritar "erra Jair, erra Jair...", quando ele pegava a bola. Errar o chute era a única forma dele acertar o gol. Um dia contaram para o Polaca essa história e ele, tão meu amigo e tão importante para o esporte e o turismo de Miracema, ficou de olho em mim. 

Na primeira vez que partiu para o gol e chutou mais alto do que a mangueira do quintal da tia Antonia, olhou para mim. Ao ver que eu gritava "erra Jair...", continuou a corrida, de dedo em riste, em minha direção. Girei nos calcanhares descalços fiz os 10 metros em milésimos de segundos e saltei o muro da cada da tia Antônio como um gato assustado. acho que sem usar as mãos.

É uma história que, como muitas vividas nesses anos todos, por esse mundo todo, nunca esqueci. E lembro de tê-la contado certa vez, pelos idos de 1977 ou 78, indo a Niterói com Salter Abraão e Ely Coimbra para comentar um jogo da Seleção Brasileira, pela falecida TV Tupi. Durante a partida o ponta direita do Brasil chutou uma bola que deve ter ido parar em Icaraí, e o Ely Coimbra me perguntou se o chute me fazia lembrar do Jair Polaca e eu disse que sim. Mas que com o Polaca, meu ídolo de infância, a bola teria passado mais perto da trave.

Viva Miracema - II

 Carlos Augusto Tostes de Macedo

Vitória – ES, 09-09-01

Minha felicidade é chegar a Miracema. Lembro-me do Papa e dá vontade de beijar aquele chão.

Miracema representa uma parte de minha vida. Nesta cidadezinha eu vivi dos meus um ano e dois meses de idade, quando meus pais se mudaram da vizinha cidade de Muriaé –MG para Miracema. E ali permaneci até os dezenove anos. Portanto, Miracema faz parte de minha pessoa, de minha personalidade, de minha vida. Miracema sou eu, em parte.

Em Miracema fiz o Jardim de Infância, o Curso Primário (1o. Grau) e o Curso Técnico de Contabilidade. Portanto, em Miracema vivi fases marcantes da vida: a infância e a juventude.

Hoje, com quase 59 anos de idade, quando me lembro de Miracema... oh, quantas saudades eu sinto! Eu me lembro, com muito carinho, de todas as pessoas que ali conheci e com as quais tive um convívio muito saudável. Não me lembro de rusgas ou querelas que fossem capazes de macular meus pensamentos, minhas lembranças. Portanto, as lembranças de Miracema são muito boas, as melhores. 

Hoje, quando vou a Miracema, não procuro divertimentos como esses típicos de cidades grandes, como shopings, teatros, casas noturnas, etc., etc.. Fico muito feliz é de ver, reencontrar aquelas pessoas que conheci ainda na infância e na juventude. ...E se a intimidade o permitir, abraço essas pessoas.Grande felicidade neste simples gesto! Grande felicidade mesmo!

Portanto, não espero mais nada de Miracema quando por lá apareço. Estou satisfeito em poder pisar naquela terra, andar na Rua Direita, na rua Das Flores, na Rua do Sapo, na Rua da Lage, na Rua do Biombo, na Rua dos Proletários, na Rua da Capivara, no Morro da Jovi, no Morro do Cruzeiro, no Jardim de Baixo, no Jardim de Cima... enfim, andar em Miracema.

Se já não posso ver mais os bois-pintadinhos com a mulinha, as folias-de-reis com o palhaço, os caxambus em frente à Prefeitura; se já não posso ver mais os amigos e conhecidos que se foram para sempre; se tudo já não é como dantes... que assim seja! Piso no chão da querida cidade e, na saída, dou mais uma olhada para traz para ver...   ...E me prometo voltar assim que puder para amar mais ainda esta cidade encantada de minha vida.

***

                                                                                                                                                                     


 

Um texto da Mana Eliane

Todo dia abro esta página, na esperança de encontrar alguém do meu tempo que não vejo há muito tempo. Para minha alegria, encontrei o Kazal, o que me fez navegar através do tempo, até aquela Miracema da minha infância e juventude.

Assim como ele, eu também me lembro do Neca Solão(causa de muitas correrias minhas). Contam que, um dia, esta figura singular chegou ao Bar do meu avô(outra figuraça), completamente nu. Meu avô, gozador que era, perguntou-lhe: "Neca, que roupa é esta?, e ele, muito sério, respondeu: "É "seu"Vicente, acho que estou nu, não está vendo? 

Continuando a leitura, deparei-me com as personagens interessantes e, eu acrescento outras, como o Paroquena e a Perereca(engraçadíssimo o namoro dos dois em frente a Prefeitura!!!!!!) 

A Furiosa, a Sete de Setembro, desperta-me saudades gostosas, pois cresci aprendendo a amá-la, pois meus avós eram setembristas doentes. Até hoje, emociono-me com suas apresentações. 

No dia 2, mais saudades, pois J.C.Alves Moreira, levou-me para os bailes do Aero Clube e do Ferreira da Luz. Pena que já não existam mais este elegantes bailes, pois fomos invadidos pelos Funks, importados da Bahia e seus semelhantes. 

Plagiando o Kazal, lembrar daquela Miracema, é lembrar do Colégio Miracemense, que hoje virou Instituto de Educação de Miracema(nome pomposo e do Estado): é lembrar do Seu Álvaro Lontra "limpando o salão para o baile" ; é lembrar do Carlos Lontra, com sua chuva de "cangalhas"; é lembrar do Seu Manoel Soutinho e Dona Maria do Carmo(como eu penava para solfejar!!!!). Lembrar daquela Miracema é lembrar do Grêmio Litero Esportivo Rui Barbosa, da Federação dos Estudantes de Miracema com o Lalado na presidência a defender o direito dos estudantes (isto na década de 60) 

Vou parar por aqui, pois se continuar a falar desta Miracema e não da de hoje, não para mais. Volto outro dia. 

Em tempo: Alvinho, quem ameaçava jogar um balde dágua era eu, mas ficava só na ameaça, pois eram 5horas da manhã e eu queria dormir. 

Eliane Picanço Dutra


viva Miracema

 Lembrar de minha infância em Miracema é lembrar de figuras como  “Neca Solão”. 

Carlos Augusto Tostes Macedo - In Memorian 

Neca Solão andava sempre bêbado, e, como tal, bem sujinho. Era só a meninada gritar “Neca Solão”! e ele respondia com belos palavrões. Eu não gostava mexer com o Neca Solão porque ele era irmão do “Chico Munheca” que, por sua vez, era pai de meu amigo e companheiro de “peladas”, o “Chiquinho da Banca”. Aliás, eu até me simpatizava muito com o “Neca Solão” que, apesar de sujo e bêbado, eu sentia haver ali uma boa alma, uma boa pessoa. E eu tenho certeza, hoje, de que não estava enganado. 

Outras interessantes personalidades povoavam o início de minha vida naquele belo recanto da Terra, como “Rundunga”,  “Napoleão”, “Quinha”, Pedro, “Tereza do Coveiro”... ... ...

Hoje, lembrar de Miracema é lembrar-me dos nomes de ruas, tão pitorescos: “Rua Direita”, “Rua das Flores”, “Rua do Café”, “Rua do Biombo”, “Rua da Lage”, “Rua do Sapo”, “Rua de Cima”, “Rua de Baixo”, “Rua da Capivara”, “Jardim de Cima”, “Jardim de Baixo”, “Rua do Cruzeiro”... ... ...

Lembrar de Miracema é lembrar de figuras expressivas e inapagáveis de minha memória, como “Seu Botelho”, “Seu Granato”, “Seu Scílio”, Gerson, Da. Áurea, “Seu Amaro”, “Seu Otávio”, “Seu Edson”, “Seu Atleta”, “Seu Vicente”... ... ...

...É lembrar dos fazendeiros “Seu Orlando”, do Panorama; “Seu Cocote”, da Saudade; “Seu Oswaldo”, do Humaitá... ...  ... ...

Lebrar de Miracema é lembrar de seu conteúdo. E este conteúdo são as pessoas, todas as pessoas que vivem em Miracema as quais, sem exceção, considero meus familiares.

Recordo e isto me faz muito bem. Recordações, boas ou más (existem más?), fazem parte de um todo que se unem num ponto qualquer dentro do cérebro. E ali ficam; e passam a fazer parte de minha existência, de minha personalidade, de minha vida.

Lembrar de Miracema é ouvir ainda hoje, com todo o sentimento, como se fosse real, o som da “Furiosa” nas madrugadas de dias festivos...


Viva Miracema!!!

A PRAÇA, A ÁRVORE E O CORETO

Texto publicado no Jornal Dois Estados em outubrode 2007 

A Praça até que recebeu uma bela roupagem, tem uns trecos esquisitos por ali, alguns dizem ser arte moderna. Tem gente passeando de mãos dadas, parecem dois recém-enamorados. Tem um carrinho de bebê surgindo do nada e com ele as lembranças me chegam repentinamente.

 Começo a fitar aquele pedaço de terra com mais firmeza, o tempo parece estar voltando, com um movimento brusco e inesperado. Naquela exata fração de segundo, em que o tempo voltava, me vi com o joelho ralado e com o olho roxo, resultado de um salto errado e um choque com aquela arvorezinha, que ficava bem atrás do nosso coreto. 

Abri os olhos e não me vi no presente. Naquele pedaço de terra havia gritos. “Eu só jogo se for na linha. A bola é minha e ponto final”. Era o filho do político impondo sua posição no racha. “Entra aqui, Penacho. Sua vaga tá garantida”, era meu amigo Nenê, fazendo uma gritaria louca para escalar todos os seus amigos. 

O garoto, o filho do político, mal sabia, mas o que todos queriam era tirar uma lasquinha da bola nova, coisa rara naquele pedaço de terra. “Venha, Penacho. Venha tirar o selinho desta bola de couro, novinha em folha”. E lá fui eu, mesmo com o joelho ralado e com um olho roxo devido a um salto errado e um choque com aquela arvorezinha, que ficava bem atrás do nosso coreto. 

 Pronto. Os times estavam escalados e definidos. “Vamos jogar com três na linha e com o Canela no gol. Decidia o Nenê. Canela era ruim na linha mas bom no gol e por isto só servia para jogar no gol. Era filho do professor de matemática, bom também em prosa e verso. No time adversário, comandado pelo Jomba, os quatro estavam em campo, mas o filho do político era “café com leite” –gíria usada para definir jogador ruim de bola-, e por isto o Nenê achou que estava tudo igual. Eu entrei na linha e fui chutar justamente contra o gol que ficava bem pertinho daquela arvorezinha, que ficava bem atrás do nosso coreto. 

Amigos, como era maltratada aquela nova bola do filho do político. Ninguém ali era um Didi, um Mengálvio ou até mesmo um Zito ou Dequinha. Só havia Leônidas da Selva, Foguete, Lua e outros centroavantes menos votados. 

A bola vinha com inscrições oficiais, tipo “Autorizada pela CBD”. “Oficial da Copa Bernardo O’Higens”, e coisa e tal. Como apanhava a bichinha. Os chutes, sempre com defeitos, caiam bem pertinho daquela arvorezinha, que ficava bem pertinho do nosso coreto. 

Estavam ali os representantes do anti-futebol, mas tinha certeza de que ali correndo para cima e para baixo, na maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas, coitadinha, a bola estava feliz, pois todos nós éramos felizes, mesmo que de vez em quando ela caísse naquela árvorezinha, que ficava bem pertinho do nosso coreto. 

Racha é coisa de criança, coisa de adulto que gosta de bola, mesmo que não tenha a mínima intimidade e a chame de senhora. Tem bicanca, tem trivela –sem querer, é claro- tem até bicicleta, como aquela do Marquinho, que colocou ponto final na nossa pelada. Uma pintura. E foi justamente no gol que dá para aquela árvorezinha, que ficava bem pertinho do nosso coreto. 

De repente todos param. Chega um cidadão com um punhado de livros, sem pedir licença vai tomando a bola e dando ordens, principalmente ao filho do político, o dono da bola, para que se recolhesse e iniciasse a chamada nominal da turma. 

O campo ficou vazio e um misto de tristeza e preocupação tomava conta de todos os “craques”. O que será de nós agora? Perguntou o Canela, o filho do professor. Como é que vamos entrar naquele coreto?

Nós ficamos debaixo daquela arvorezinha, enxugamos nosso suor e pronto. Simples, meu caro. Nós estamos sonhando e em sonhos as roupas ficam brancas como a neve. E com um estalar de dedos estávamos todos sentados no nosso coreto tocando um dobrado ensinado pelo nosso professor Garcia, na maviosa Sete de Setembro. 

Viu só o porquê de tanta insistência com o nosso coreto? Eu não sei quem foi o político que teve a infeliz idéia de acabar com o nosso coreto e colocar ali, naquela pracinha maravilhosa, um pouco de arte moderna. Seria para a gente sentir falta e sonhar? Em cada sopro de instrumento e em cada gomo de bola perdida naquela pracinha havia sempre um coração de criança batendo mais forte. 

Dedicatória

  Que bonito esse momento… abrir um livro é como abrir o coração na primeira página. Aqui vai uma dedicatória à altura da sua caminhada: ...