São quarenta anos de Campos, que lá em 1985 não havia incluído "Dos Goytacazes" em seu nome, e de lá para cá mudou muito tanto aqui como na minha Miracema. Já existiam as piscinas mas o grande pulo da natação ainda era no poço da Usina e na descida do ribeirão Santo Antônio, alguns chamados poços ideais existiam por ali e hoje estão praticamente secos.
Que maravilha! Era o poço no Santo Antônio e os banhos no Conde, na Lagoa Preta e no famoso Moura, uma diversão barata, com algumas aventuras e ao lado de rapazes e, às vezes, moças que faziam parte da nossa curriola, aqui no bom sentido da palavra.
Andar pela Rua Direita, do lado direito de quem sobe, após o cinema das seis, aos domingos, a domingueira do Aeroclube, sim ainda vi de perto e por ali aprendi a bailar decentemente como ainda faço até hoje,, as matinês nos Cines Sete e Quinze, aqueles antigos da Rua das Flores e abaixo da Banda Sete, aliás ali também havia os famosos bailes de carnaval no então chamado salão Primavera.
Os bailinhos das varandas e as festinhas de aniversário, santa inocência, era tudo de bom. Eu ainda era moleque, aquilo que hoje falo "era criança pequena lá em Miracema", mas me lembro, perfeitamente, quando o Seu Tinoco, guarda de trânsito e uma espécie de policial tomador de conta da juventude, fechava a Rua Direita e nós, lá no jardim, ficávamos apostando em quem teria coragem de atravessar a Marechal Floriano sem camisa e só com um calção, sim naquela época era calção e não short.
E a cereja do bolo dos anos 1950? Sim, o Cineminha do Zé de Assis, ali em frente a sua bela loja, diziam que era a mais bonita de toda a região naquele tempo, e eu concordo, mas para este que vos fala uma outra cereja do bolo, o som do jardim, instalado naquela oca no meio do espaço, onde Mocinho, Nicanor, Jorge Ripada faziam o som e o grande amigo Geraldo Brandão, o Mocinho, me fez falar pela primeira vez ao microfone, fazendo o programa de "alguém oferece a alguèm", e gostei e até hoje estou nesta vida gostosa que passou de locutor infantil até narrador de futeboll profissional.
Ali em frente a prefeitura, onde meu avô Vicente teve um bar, que depois ficou com meu pai Zebinho, era o centro de tudo. Ali fui engraxate, vi o Caxambu, participei da Tropa do Ló, e dali subi o Morro da Jovi onde jamais fui um desconhecido, meus grandes amigos estavam sempre por lá e muitos deles engraxates da calçada da prefeitura.
Fechando o papo, falando do Buru, do Carlinhos, do seu Miguel, todos dos cinemas Sete e Quinze, aproveito para dizer que tanto a Sete e a Quinze foram as bandas de música nas quais tive o prazer e a honra de tocar comandado pelos Maestros Zeca Garcia e Galieta.
Chega por hoje, foi o suficiente para verter lágrimas de alegria e de grandes lembranças e coloco aqui uma saudade, meu amigo Carlos Augusto Tostes Macedo, recém falecido, e do meu padrinho e conselheiro Luis Fernando Caldas Leitão, o Ló, ainda bem vivo e contando histórias, que sempre conversavam comigo fazendo estas reminiscências que divido com vocês.
