Qual é a música?
Qual é a música do futebol de hoje?
“Talvez eu seja o último romântico”, canta Lulu Santos numa de suas canções mais conhecidas. Evidentemente, não é um poema sobre futebol. Aliás, nunca ouvi Lulu comentar o esporte mais popular do Brasil. Nem sei — eu pelo menos não sei — para qual time torce o grande compositor e cantor brasileiro.
Falei isso numa reunião de boleiros e levei logo um fora.
— Você está louco, cara! Nunca vi o Lulu falar ou cantar sobre futebol!
Exatamente onde eu queria chegar. Sabendo que essa música não tem nada a ver com futebol, peguei carona nela para dizer que o nosso futebol — esse que vemos hoje — também não tem muita coisa a ver com o futebol que eu gostava de ver nas tardes de domingo. Aqui, na minha região, na capital ou mesmo nas telinhas da televisão.
Na quinta-feira, nesse novo canal da parabólica, vi um jogaço de futebol: AC Milan contra Real Madrid, semifinal da antiga Copa dos Campeões da Europa. Era reprise, mas dessas que valem a pena rever. Pena que não gravei. Se o Eraldo Bento assistiu, aposto que registrou no seu novo DVD.
Foi um daqueles jogos que nos lembram como era bom assistir futebol quando havia dezenas de craques em campo.
Marco van Basten, Ruud Gullit, Paolo Maldini e Carlo Ancelotti, pelo lado milanês, deram as cartas e me deixaram extasiado do lado de cá da televisão. Um jogo tático, técnico, inteligente e muito bem disputado. Não vi pancadaria nem desrespeito a quem sabe jogar futebol. O time madrilenho não apelou para pontapés, mesmo perdendo por 4 a 0 ainda no primeiro tempo e mesmo com Gullit exibindo todo o seu repertório de jogadas incrivelmente belas.
— Calma! Eu sei que o tema principal do mundo da bola hoje é a realidade. Romantismo? Isso é coisa do passado. Não existem mais românticos no futebol!
— Isso é papo de velho!
Podem me chamar de saudosista, de velho ou até de retrógrado, mas não se fazem craques como antigamente. Ou melhor: hoje o atleta faz um jogo apenas razoável e já aparece alguém dizendo que encontraram o herdeiro de Pelé.
Posso ser velho, mas gosto de futebol à moda antiga. Como cantou Roberto Carlos: “eu sou aquele amante à moda antiga”.
— Para com isso! Daqui a pouco você vai dizer que o futebol é “como uma onda no mar” ou que, além de ser uma caixinha de surpresas, virou uma “metamorfose ambulante”!
— Você está louco!
— Não precisa ficar me zoando! Mas me responde uma coisa: se você tivesse que comparar o futebol a uma música, qual seria?
— Sei lá, cara… Nunca pensei nisso. Mas, como meu time anda apanhando de todo mundo, acho que seria “Dói, um tapinha não dói”… ou então qualquer tango de quinta categoria!
— Meu repertório está melhor que o seu. Funk e tango? Que fim de festa…
— Vou pensar melhor e depois respondo. Mas gostei da ideia.
Então deixo a pergunta no ar, para os amigos boleiros:
Se você tivesse que comparar o futebol a uma música, quall seeria a música de hoje?
Comentários
Postar um comentário