sábado, 21 de fevereiro de 2026

A bola e os bailes


⚽🎶 Entre a Bola e o Violão

Havia um tempo em que a vida cabia num campo de futebol e terminava numa roda de amigos.
Um tempo em que o domingo começava com chuteiras penduradas no ombro e terminava com o violão atravessando a madrugada.

Tudo começou no time do Bitico.
Ali não havia apenas treinos — havia sonhos. O uniforme podia ser simples, o campo de terra levantava poeira, mas o coração já batia como se fosse final de campeonato. Era o início de uma caminhada que passaria pelo Vasquinho, depois pelo Esportivo e pelo Tupan, cada etapa fortalecendo não apenas o jogador, mas o homem.

Vestir a camisa da seleção da cidade foi mais do que honra — foi pertencimento. Era entrar em campo sabendo que cada toque na bola carregava o nome da própria terra. E como aquilo enchia o peito.

Então veio a oportunidade maior. A chance de atravessar fronteiras e tentar espaço no Vasco da Gama. Não houve permanência. O sonho não se consolidou como tantos imaginam quando falam em futebol. Mas houve coragem. Houve tentativa. Houve a experiência de pisar em outro patamar, sentir o peso de uma camisa histórica e compreender que, às vezes, o verdadeiro triunfo está em ter ousado tentar.

E quando o apito final soava, a vida continuava fora das quatro linhas.

Os bailes do Aeroclube eram capítulos à parte. Luzes suaves, músicas que embalaram paixões discretas e olhares que falavam mais do que palavras. Nos Grêmios, a juventude dançava como se o mundo fosse eterno.

Nas ruas, as serestas transformavam calçadas em palco. Um violão iniciava a melodia e, de repente, dezenas de vozes se juntavam. No jardim, as rodas de música misturavam risos, confidências e promessas que só a juventude sabe fazer.

E havia amigos. Centenas deles. Alguns seguiram outros caminhos. Outros permaneceram como testemunhas daquele tempo em que tudo parecia possível.

Hoje, quando a memória visita esses dias, ela não traz apenas imagens. Traz sons, cheiros, o gosto da liberdade e a sensação de que cada passo — no campo ou na calçada — ajudou a construir quem hoje sou. 

Porque a juventude não passa.
Ela se transforma em história.



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