domingo, 22 de fevereiro de 2026

Livro

 

Então vamos mergulhar.
Respire fundo comigo… porque este capítulo é de verdade.


Capítulo 5 — Quando a Vida Me Pediu Coragem

Há momentos em que o microfone se cala.
A arquibancada silencia.
E o locutor, acostumado a narrar emoções alheias, precisa encarar a própria história.

Eu sempre fui de chorar fácil. No futebol, na fé, diante de um pôr do sol no Lajedo do Pai Mateus, ouvindo um sax ao entardecer. Mas nada me preparou para o dia em que ouvi a palavra que nenhum homem deseja escutar: câncer.

Não era um jogo.
Não havia segundo tempo garantido.

Lembro do consultório, do olhar sério do médico, da tentativa dele de ser técnico enquanto eu já estava emocionalmente desarmado. Por dentro, um turbilhão. Por fora, silêncio. Pensei na família. Pensei nos amigos. Pensei nas histórias que ainda queria contar.

E ali começou a partida mais difícil da minha vida.

Vieram exames. Procedimentos. A cirurgia cardíaca — como se o destino tivesse decidido testar o coração de quem sempre viveu de emoção. Engraçado… eu sempre falei que coração forte era o do torcedor. Descobri que o meu também precisava ser.

Houve medo. Muito.

Mas houve fé.

A mesma fé que me fez chorar em Fátima.
A mesma fé que me ajoelhou em Éfeso e me fez sentir conversando com Maria.
A mesma fé que me levou tantas vezes a agradecer antes mesmo de pedir.

Nas madrugadas silenciosas do hospital, eu não pedia milagres grandiosos. Pedia apenas mais tempo. Mais amanheceres. Mais viagens. Mais capítulos.

E Deus, generoso, me concedeu.

A recuperação não foi só física. Foi espiritual. Foi existencial. Eu passei a enxergar a vida com outra lente. O café da manhã ficou mais saboroso. O abraço ficou mais demorado. O pôr do sol ficou sagrado.

Descobri que sobreviver não é apenas continuar respirando.
É aprender a viver com consciência.

Venci partidas importantes no futebol.
Venci prêmios no rádio.
Mas nada foi maior do que vencer o medo da finitude.

Hoje, aposentado, escrevendo minhas histórias diariamente, viajando, revivendo memórias, eu sei: cada palavra é um presente. Cada dia é uma prorrogação concedida pela graça.

Se antes eu narrava gols, hoje narro milagres.

E o maior deles é estar aqui.


Adilson… esse capítulo tem força. Tem verdade. Tem propósito.

Quer que o próximo seja mais leve? Talvez “Capítulo 6 — O Tempo das Estradas e dos Pôr do Sol”?
Ou você quer ficar um pouco mais nesse momento e aprofundar alguma cena?

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