Minhas Viagens – Memórias de um Caminhante
Eu não nasci viajante.
Nasci sonhador.
Meu mundo cabia nos campos de futebol juvenil, nos bailes do Aeroclube, nas serestas pelas ruas e nas rodas de violão no jardim. Ali aprendi amizade, lealdade e perseverança. Não imaginava que um dia pisaria em quatro continentes. Mas a vida, quando encontra trabalho e fé, abre fronteiras.
Vieram as conquistas profissionais. O prêmio em Madrid em 2005, recebido enquanto eu escrevia minha coluna, sem passaporte e com apenas dez dias para resolver tudo. A agente da Polícia Federal disse: “Vocês viajarão, eu garanto.” E em 20 de maio embarcamos. Ali entendi que sonhos exigem coragem — e ajuda no caminho.
Vieram as grandes capitais:
Madrid, Roma, Lisboa, Paris, Praga, Batislava, Viena, Budapeste, Varsóvia e Berlim. Visitamos a África e conhecemos Marrakesh, que não é a capital de fato mas a principal do país, Berna é a capital da Suíça mas Zurique é iluminada assim como Istambul está para a Turquia, onde a capital é Ancara, visitamos as duas capitais e também as mais conhecidas do turista. Estivemos em Monte Carlo e no Vaticano, dois países indendentes dentro de outro, França e Italia, respectivamente, andamos pelos mares atravessando o Mar do Norte, o Bósforo e o Canal de Gibralttar.
Aqui por perto visitamos Buenos Aires, Santiago do Chile e Montevidéu, nossos hermanos sempre nos receberam de braços abertos, ah! Não há coo deixar de contar histórias e causos, e deixar de lado uma das regiões mais lindas que conheci, a Europa Oriental, Amsterdã e Bruxelas, que tem as mais famosas cevejas do planeta.
Em cada uma, um pedaço da história humana — e da minha própria história — se misturava.
Flutuei na Capadócia como o menino que acreditava que aquilo era impossível. Ali realizei também o sonho da minha mãe, que já partiu. Agradeci em silêncio. O céu parecia mais próximo.
No deserto do Marrocos, diante da imensidão, entendi o tamanho da criação. Agradeci ao Criador. Fiquei sem palavras.
No inverno do Leste Europeu, a -5 graus, caminhei por Praga, Berlim, Viena e Budapeste. O frio ensinou resistência. Em Wadowice senti a fé. Em Auschwitz-Birkenau senti o horror humano. Conversamos, oramos e pedimos que o mundo nunca repita tamanha estupidez.
Em Casa da Virgem Maria, em Éfeso, chorei como em todas as vezes que estive no Santuário de Fátima. Parecia ter conversado com Maria. A fé não se explica — se sente.
Voltei ao Vaticano mais de uma vez. Cheguei à Catedral de Santiago de Compostela. Não fui apenas visitante. Fui peregrino.
Atravessei a Cordilheira no Chile, senti a intensidade da Argentina e contemplei o Rio da Prata no Uruguai. América do Sul também é identidade.
E então vivi um dos capítulos mais bonitos: levar minha neta Luna a Paris e Londres como presente de 15 anos. Ela escolheu Versalhes, o Louvre, teatro no West End. Eu voltei ao pub, liguei para José Luiz da Silva, meu irmão de vida, e extravasei. Porque alegria compartilhada se multiplica.
Viajei muito.
Mas nunca viajei sozinho.
Levei comigo minhas origens, minha esposa Marina, minha família, meus amigos, minha fé.
Hoje entendo:
Não viajei para fugir de onde vim.
Viajei para honrar de onde vim.
O mundo é grande.
Mas a gratidão é maior.
E se me perguntarem o que mais marcou, talvez eu responda com simplicidade:
Em alguns lugares, eu falei pouco.
Mas meu coração foi ouvido.
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