Seresta na João Pessoa

 

A seresta em minha casa

Entre tantas serestas que vivi ao lado de Fernando Nascimento, há uma que guardo com carinho especial.

Certa noite, em minha casa em Miracema, reuniram-se três velhos seresteiros da terrinha: Esrte quevos escreve, Fernando Nascimento, José Felicíssimo e o diretor do colégio de Pirapetinga, Sr. João Oliveiras — todos professores, todos apaixonados pela música.

Eu havia sido aluno interno daquele colégio, graças à generosidade de João Oliveira, amigo de infância de meu pai. Minha família não tinha condições de pagar um colégio particular, e ele abriu para mim as portas do estudo.

Naquela noite não havia formalidade. Apenas violão, música e amizade. Entre uma canção e outra, dois litros de uísque ajudavam a soltar as lembranças, as histórias e as gargalhadas.

E ali estavam eles — três homens simples, professores, seresteiros, amigos — cantando pela madrugada de Miracema como se o tempo não tivesse pressa.

Quando hoje penso em Fernando, muitas imagens me vêm à memória. Mas poucas são tão bonitas quanto aquela: o violão passando de mão em mão, as vozes se encontrando na canção e a amizade enchendo a noite.



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