Achando o caminho do microfone
A primeira vez no microfone
Não havia luz vermelha avisando “no ar”.
Nem estúdio, nem isolamento acústico, nem nada dessas modernidades do rádio.
Era um lugar rústico no Jardim de Miracema, uma espécie de oca, onde funcionava o serviço de som da cidade.
E foi ali que tudo começou.
Geraldo Brandão, o Mocinho, acreditava numa coisa curiosa: que um garoto de 12 anos podia animar as manhãs de domingo de Miracema.
Não sei exatamente por que ele acreditou nisso.
Mas acreditou.
E assim, naquele espaço simples, sem luz indicadora e sem cerimônia, um menino começou a falar ao microfone para a cidade inteira ouvir.
Talvez eu estivesse mais nervoso do que imaginava.
Talvez a voz tenha tremido um pouco.
Mas ali nasceu uma coisa que nunca mais me abandonou:
o rádio.
E pensar que isso aconteceu há 64 anos, naquela oca improvisada no Jardim de Miracema, quando um homem chamado Mocinho resolveu confiar num garoto.
Às vezes a vida começa assim:
com alguém acreditando na gente antes mesmo de sabermos quem somos.
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