Quando Miracema era assim
Texto do meu saudoso amigo Carlos Augusto Tostes Macedo
QUANDO MIRACEMA ERA ASSIM
Os lugares mais frequentados para nadar eram outros: um poço no ribeirão acima da Usina, um trecho do ribeirão no quintal da casa de Dona Nunciata, o Conde, a Lagoa Preta e o Moura.
Os divertimentos para a moçada também eram poucos. Aos domingos havia bailes no Aero Clube de Miracema — a famosa “domingueira” —, as matinês do cinema, os passeios pela Rua Direita e algumas festinhas de aniversário.
À noite, o guarda seu Tinoco fechava o trânsito para os automóveis na Rua Direita. Ali desfilavam, indo e vindo, moças e rapazes na calçada do lado da Chevrolet. Alguns rapazes ficavam parados no meio da rua, conversando e apreciando o movimento.
No Jardim de Baixo, casais de namorados ocupavam os bancos. Outros passeavam lentamente e alguns ainda procuravam os cantinhos mais escuros...
Ainda na Rua Direita havia uma parada obrigatória: admirar a mais bonita loja do Estado do Rio de Janeiro — “Ao Rei dos Barateiros – Novidades”, do seu José Ferreira de Assis, um orgulho para Miracema. Era uma loja belíssima, que possuía alto-falantes de ótima qualidade tocando lindas músicas, como o grande sucesso da época: “Babalu”, na voz de Ângela Maria.
Havia também o caxambu no Morro da Jovi, frequentado por crioulos e mulatos.
Tudo parecia uma festa.
Até a missa de domingo, acompanhada pelo belíssimo coral regido por Dona Áurea, era um verdadeiro programa para a população católica. Depois da missa das oito, os rapazes iam para o Jardim de Baixo, sentavam-se nos bancos e apreciavam o “desfile” das moças que saíam da igreja.
Para animar ainda mais a cidade, havia alto-falantes instalados no Jardim de Baixo e na Rua Direita, sob o comando do Chiquito, que anunciava propagandas e tocava os sucessos da época: músicas de Emilinha Borba, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Luiz Gonzaga e tantos outros, rodadas naqueles discos pesados de 78 rotações por minuto — ainda não existiam os long plays.
E a banda do Cine Sete, a nossa querida Furiosa, alegrava os eventos e as madrugadas dos dias festivos.
Como diz o poeta:
Viva Miracema!

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