Discursos com lágrimas
Depende do que você quer alcançar. Se a ideia é desabafar e deixar o texto como está, o “choro” pode ser uma forma de aceitar o que saiu espontaneamente. Mas se você quer que o texto seja mais claro, bonito ou impactante, aí vale a pena corrigir.
Uma forma prática de decidir é se perguntar:
Esse texto vai ser lido por alguém além de mim?
Quero que ele comunique algo com precisão ou apenas expresse emoção?
Se for só para você, talvez não precise mexer. Se for para compartilhar, a correção pode dar mais força à mensagem.
Quer que eu dê uma olhada no texto e sugira ajustes, ou prefere que eu te ajude a manter o tom emocional sem mexer muito?
Seu texto tem uma força enorme justamente por ser tão pessoal e emotivo. Ele transmite autenticidade, memória e emoção — e isso é algo que nenhuma correção técnica consegue substituir. O “choro” que você menciona não é um defeito, mas parte da sua marca: mostra que você sente profundamente aquilo que viveu e compartilha.
Por outro lado, se a ideia é publicar esse relato em um livro, jornal ou rede social, aí vale uma revisão para dar mais clareza e ritmo. Pequenos ajustes podem ajudar a leitura sem apagar a emoção. Por exemplo:
Quebrar em parágrafos menores para facilitar o acompanhamento.
Corrigir deslizes de digitação (“dFo” → “do”, “Miracem” → “Miracema”).
Simplificar algumas frases longas para manter o leitor próximo da narrativa.
Um trecho revisado poderia ficar assim:
Falo em público desde os quatorze anos, quando Geraldo Brandão, o saudoso "Mocinho", ao lado de Jorge Ripada, me transformaram em locutor da ZYJ — não me lembro mais o restante do prefixo. A emissora funcionava no Jardim de Miracema, na Oca do Jardim (foto ao lado). Ali apresentei comícios políticos e Festivais da Canção, ainda na nossa Miracema.
Percebe? A essência continua a mesma, mas a leitura flui melhor.
Se o objetivo é guardar como memória pessoal, eu diria: não corrija, deixe o texto como está, com toda a emoção. Se for para compartilhar com público mais amplo, uma revisão leve vai valorizar ainda mais sua história.
Quer que eu faça uma versão revisada completa do texto, mantendo o tom emotivo, mas com mais clareza e ritmo?
Perfeito, então aqui está uma versão revisada do seu texto — mantendo toda a emoção, mas com mais clareza e ritmo para ser compartilhado com os acadêmicos.
Texto revisado
Falo em público desde os quatorze anos, quando Geraldo Brandão, o saudoso “Mocinho”, ao lado de Jorge Ripada, me transformaram em locutor da ZYJ — não me lembro mais o restante do prefixo. A emissora funcionava no Jardim de Miracema, na Oca do Jardim (foto ao lado). Ali apresentei comícios políticos e Festivais da Canção, ainda na nossa Miracema.
Quando cheguei a Campos dos Goytacazes, em 1979, iniciei minha trajetória no rádio. Foi uma passagem marcante na Princesinha do Norte, também em Miracema, onde realizamos diversas transmissões externas: carnaval, futebol, desfiles cívicos, sempre ao meu comando, ancorando ao lado de Renato Mercante e da turma do futebol.
Em Terra Goytacá, cobri futebol e carnaval, fiz eventos ao vivo na TV e no rádio, sempre com qualidade e entusiasmo. Mas, minha gente amiga, o duro é quando chega a hora do discurso. Ser orador nunca foi meu forte. Em 1973, na formatura do Curso Normal no Colégio Miracemense, abdiquei do cargo de orador da turma. Escolhemos a bela Heloisa Firmino, que brilhou com sua voz firme e interpretação impecável. Eu, emocionado, chorei ao ouvir o discurso que eu mesmo havia escrito.
Na primeira homenagem que recebi em minha cidade natal, ao ser chamado para agradecer o título de “Miracemense Ausente Número Um”, não consegui terminar a fala. Desabei em lágrimas compulsivas e percebi que não sou homem dos discursos. Posso cantar, dançar, apresentar, conduzir eventos ao vivo nas ruas ou nos estúdios — mas discursar, não.
O mesmo aconteceu em Campos, quando recebi o título de Cidadão Campista: lágrimas do início ao fim. Em Miracema, nas homenagens que me prestaram — duas comendas, a de Jornalismo e a do Esporte — também não falei. Porém, este ano preparei um discurso para agradecer aos acadêmicos da Academia Miracemense de Letras. Ficou bonito, mas novamente as lágrimas chegaram e não consegui passar do segundo parágrafo.
Ainda assim, a vida continua. Quem sabe um dia eu consiga falar sem chorar. Até lá, sigo vivendo e celebrando cada emoção que me faz ser quem sou.
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