Luberdadecde Expressão
O Natal das Gerações: Do Chiado à Dona Ermelinda
Por Adilson Dutra
Existem conexões que só o coração de um cronista é capaz de traçar. Recentemente, ao percorrer as imagens da Praça do Chiado, em Lisboa, vi-me subitamente transportado. A ornamentação lusa, em toda a sua elegância, era o espelho de um lugar mais próximo, mais íntimo: a nossa Praça Dona Ermelinda, em Miracema.
Naquela noite, o sonho fez o resto. Vi a nossa Fonte Luminosa — a mais bela do interior fluminense — pulsar em cores, enquanto um trenó impossível emergia⁸ de suas águas. Daquela visão onírica, nasceu este resgate das figuras que foram o "Papai Noel" de cada tempo.
As Sombras Amigas dos Anos 50 e 60
Para a minha geração, a dos anos 1950, o Natal tinha as faces de Neca Solon e do Cabo Atleta. Figuras tão indissociáveis da nossa paisagem afetiva que acabaram fundidas no meu alter ego, o Ermenegildo — uma síntese da força de um e da alma do outro, que me acompanha há décadas de escrita e rádio.
Já nos anos 60, quem nos brindava era o Raul, o Juquinha. Sentado nos bancos em frente à fonte, ele entoava suas canções "irreconhecíveis" com uma doçura que desarmava qualquer provocação. Raul era a trilha sonora daquela inocência. Por que não elevá-lo a Noel daquela década?
O Balanço Eterno de Cissi Junqueira
Ao chegar aos anos 70, o parque de Maximiliano Poly (o Seu Marcílio) já não me via mais como criança, mas como um jovem de vinte anos observando a vida passar. Mas havia uma constante: Cissi Junqueira.
Cissi era a alma do Parque do Seu Ademar. Sua presença diária no balanço, com a felicidade estampada no rosto, é uma imagem que o tempo não ousa apagar.
Um apelo à posteridade: Aos novos legisladores de Miracema, deixo uma sugestão de sensibilidade: que tal nomear aquele recanto das balanças como "Espaço Cissi Junqueira"? Seria o reconhecimento justo àquela que fez do balanço a sua morada de alegria.
A Roda Gigante da Vida
O tempo é um rio que não para. Nos anos 80, o parquinho foi ocupado pelos meus filhos e seus amigos. Hoje, no novo século, são os nossos netos e bisnetos que mantêm o brilho aceso sob o olhar de Geraldo. Com o mesmo temperamento bonachão e educado do saudoso Seu Ademar, Geraldo garante que o desenho da nossa infância permaneça vivo para os pequenos de hoje.
O cenário é o mesmo, a magia é constante. Miracema muda, mas o nosso jardim continua sendo o lugar onde o Natal de todas as gerações se encontra para um abraço eterno.
O Natal das Gerações: Do Chiado à Dona Ermelinda"Entre as luzes de Lisboa e os sonhos em Miracema, descobri que o melhor destino de uma viagem é sempre o encontro com as nossas memórias."
Por Adilson Dutra
Existem conexões que só o coração de um cronista é capaz de traçar. Recentemente, ao percorrer as imagens da Praça do Chiado, em Lisboa, vi-me subitamente transportado. A ornamentação lusa, em toda a sua elegância, era o espelho de um lugar mais próximo, mais íntimo: a nossa Praça Dona Ermelinda, em Miracema.
Naquela noite, o sonho fez o resto. Vi a nossa Fonte Luminosa — a mais bela do interior fluminense — pulsar em cores, enquanto um trenó impossível emergia de suas águas. Daquela visão onírica, nasceu este resgate das figuras que foram o "Papai Noel" de cada tempo.
As Sombras Amigas dos Anos 50 e 60
Para a minha geração, a dos anos 1950, o Natal tinha as faces de Neca Solon e do Cabo Atleta. Figuras tão indissociáveis da nossa paisagem afetiva que acabaram fundidas no meu alter ego, o Ermenegildo — uma síntese da força de um e da alma do outro, que me acompanha há décadas de escrita e rádio.
Já nos anos 60, quem nos brindava era o Raul, o Juquinha. Sentado nos bancos em frente à fonte, ele entoava suas canções "irreconhecíveis" com uma doçura que desarmava qualquer provocação. Raul era a trilha sonora daquela inocência. Por que não elevá-lo a Noel daquela década?
O Balanço Eterno de Cissi Junqueira
Ao chegar aos anos 70, o parque de Maximiliano Poly (o Seu Marcílio) já não me via mais como criança, mas como um jovem de vinte anos observando a vida passar. Mas havia uma constante: Cissi Junqueira.
Cissi era a alma do Parque do Seu Ademar. Sua presença diária no balanço, com a felicidade estampada no rosto, é uma imagem que o tempo não ousa apagar.
Um apelo à posteridade: Aos novos legisladores de Miracema, deixo uma sugestão de sensibilidade: que tal nomear aquele recanto das balanças como "Espaço Cissi Junqueira"? Seria o reconhecimento justo àquela que fez do balanço a sua morada de alegria.
A Roda Gigante da Vida
O tempo é um rio que não para. Nos anos 80, o parquinho foi ocupado pelos meus filhos e seus amigos. Hoje, no novo século, são os nossos netos e bisnetos que mantêm o brilho aceso sob o olhar de Geraldo. Com o mesmo temperamento bonachão e educado do saudoso Seu Ademar, Geraldo garante que o desenho da nossa infância permaneça vivo para os pequenos de hoje.
O cenário é o mesmo, a magia é constante. Miracema muda, mas o nosso jardim continua sendo o lugar onde o Natal de todas as gerações se encontra para um abraço eterno.
Comentários
Postar um comentário