Naquelas noites de sexta-feira, no Armazém, quando uma simples caixinha de som faz toda a diferença e ajuda a espalhar a alegria entre os amigos, surgiu na playlist uma das músicas preferidas deste escriba. No meu entendimento, talvez a letra mais bonita de todos os tempos.

Era Deixa-me Ir, do grande Candeia, eternizada na voz de Cartola e, mais tarde, revisitada por outros craques, como Zeca Pagodinho e Marisa Monte, ajudando a torná-la ainda mais popular.

No papo descontraído de sempre, Marco me perguntou o que me levava a considerar Deixa-me Ir a letra que mais me emociona e me toca.

Entendam como quiserem, mas logo de cara me enxerguei naqueles versos:

"Preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..."

E quem passou pelo que passei — uma cirurgia no coração, um câncer, um aneurisma — dificilmente não entende o peso dessas palavras.

Porque, no fundo, nada disso vai me convencer do contrário: eu quero assistir ao sol nascer, ver as águas do rio correr, ouvir os pássaros cantar... eu quero viver.

Espero que agora você comece a me entender, meu caro Vergalhão — apelido carinhoso do Marco.

E ele, profundo conhecedor e também apaixonado por Cartola, talvez vivendo seus próprios momentos difíceis, respondeu cantando alto antes de sair discretamente para o banheiro, não para urinar, mas para deixar correr algumas lágrimas:

"Deixa-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar..."

E eu, já um pouco distante, completei o verso de Candeia:

"Diga que eu só vou voltar depois que me encontrar."

E Marco, de alguma forma, se encontrou por lá.

E nós, aqui da mesa, fizemos coro com o refrão: rir pra não chorar.

Pois então, amigos e amigas, a vida precisa ser vivida. Porque rir é melhor que chorar... e viver é sempre melhor que apenas sonhar.


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